TOC – Compulsões e obsessões que não podem ser ignoradas

Descrição da imagem: No cinema, Jack Nicholson deu vida a Melvin Udall, um homem de meia idade que era portador de TOC em “Melhor Impossível”. Na foto o ator está segurando um cachorro.No filme de 1997 “Melhor Impossível”, Jack Nicholson interpreta Melvin Udall, um homem de meia-idade com Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) que evita pisar nas rachaduras das calçadas, tranca as portas, mexe nos interruptores exatamente cinco vezes e lava as mãos repetidamente, sempre jogando fora o sabonete usado depois – além de levar talheres de plástico bem embalados à lanchonete em que toma o café da manhã todos os dias. 

E embora o filme seja rotulado de comédia romântica, não há nada parar rir a respeito do problema que acomete o personagem – afinal de contas, o TOC é incapacitante, social, emocional e vocacionalmente. E ele pode ser até mesmo fatal.

Em 2010, John C. Kelly, 24, se matou em Irvington, no Estado de Nova York, após uma longa batalha contra uma versão mais grave do TOC. Ele era um jogador de beisebol apaixonado e hoje os amigos organizam um torneio anual de softball para arrecadar fundos para a fundação criada em sua homenagem para aumentar a conscientização em relação à doença.

Pensamentos obsessivos e comportamentos compulsivos ocorrem na vida de todo mundo de vez em quando. Entretanto, esses hábitos comuns são bem diferentes das obsessões e compulsões angustiantes que caracterizam o TOC: pensamentos e/ou medos perturbadores que não podem ser ignorados e levam a pessoa a seguir um comportamento ritualístico e irracional para aliviar a ansiedade resultante.

Um medo excessivo de germes, por exemplo, pode levar à lavagem repetitiva das mãos ou à recusa de tocar maçanetas ou objetos manipulados por outras pessoas; entretanto, os rituais não precisam necessariamente ter relação com as ansiedades que os desencadeiam, como abrir e fechar portas um número exato de vezes, pisar sobre todas as rachaduras ou linhas na calçada ou contar até um determinado número antes de fazer uma atividade.

Conscientes. As pessoas com TOC sabem que suas ações e pensamentos não são realistas, mas não conseguem evitar se comportar como se estivessem de castigo. Manter rituais compulsivos não lhes dá prazer, apenas alívio temporário à ansiedade, resultando na necessidade de repeti-los o tempo todo.

Tanto os pensamentos obsessivos como as compulsões consequentes podem consumir um tempo enorme, tornando a vida normal praticamente impossível. As dificuldades diárias que John enfrentava por causa da doença, reveladas em seu diário, só foram descobertas depois de sua morte prematura.

Caso. Em um artigo recente no New England Journal of Medicine para melhor informar os médicos sobre a doença, o Dr. Jon E. Grant, psiquiatra da Escola de Medicina Pritzker da Universidade de Chicago, descreveu um rapaz de 19 anos que “lava as mãos cem vezes por dia, não toca nada que foi tocado por outra pessoa sem antes esfregá-la bem e medo de germes o deixou isolado em seu quarto, impossibilitado de comer e com vontade de morrer”.

Em apenas dois anos, o transtorno “já tinha se tornado completamente incapacitante”, disse o pai do jovem.

Entre 1% e 3% das pessoas desenvolvem TOC a partir da infância ou da adolescência. Geralmente é um transtorno hereditário, embora a gravidade varie muito dentro da mesma família.

Embora ainda não se saiba muito a respeito das causas, o Dr. Grant afirma que elas estejam relacionadas a anormalidades em diversas estruturas e funções cerebrais, incluindo déficit de certas habilidades cognitivas, como poder mudar um comportamento baseado em novas informações.

Sem tratamento adequado, é muito pouco provável que o problema se solucione por si. Quanto mais cedo for diagnosticado e tratado, melhores os resultados.

Diagnóstico

Erro. A terapia efetiva geralmente é dificultada pelo diagnóstico errado de depressão ou ansiedade. Isso se deve ao fato de que os sintomas de ambos podem acompanhar o TOC.

Fonte: site do Jornal O Tempo por Jane E. Brody do The New York Times.

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