Surdo ou surdo-mudo?

O termo “surdo-mudo” é rejeitado pelos grupos e associações de surdos. O portal da Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos explica que a expressão “tem sua raiz na história, num tempo muito antigo quando a pessoa Surda estava condenada à mudez. Ser surdo significava automaticamente ser mudo, e pior, ser um abandonado, excluído, desacreditado!”

Oliver Sacks, neurologista norte-americano e autor de “Vendo Vozes: uma viagem ao mundo dos surdos” explica que os surdos foram considerados “‘estúpidos’ por milhares de anos e considerados ‘incapazes’ pela lei ignorante – incapazes para herdar bens, contrair matrimônio, receber instrução, ter um trabalho adequadamente estimulante”, negando-lhes direitos humanos fundamentais. A “mudez” neste caso não tem relação com uma condição biológica, mas social e cultural.

Qual termo seria, então, mais adequado? A palavra “surdo” seria o termo mais apropriado e capaz de minimizar a estigmatização das pessoas surdas, pois não focaliza em questões físicas ou biológicas, mas considera a surdez em relação as suas particularidades e à condição linguística diferenciada. Esta diferença não diz respeito a um modo melhor ou pior de se comunicar, apenas diferente.

Apesar do termo “surdo-mudo” volta e meia aparecer na mídia, é considerado depreciativo e inadequado. Carolina Hessel pesquisou alguns desses exemplos:

Não é a toa que já foi criado um guia para a abordagem do tema “deficiência” na mídia.
Mas há também exemplos inspiradores. Como o personagem Humberto da turma da Mônica que em uma historinha de maio de 2006 passou a se comunicar em Libras. Humberto não é mudo não, mas se expressa por sinais e a turminha também aprendeu como se comunicar com ele.
Fonte: site Papo de Homem por Ana Cláudia França.

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