Primeiro curso brasileiro de especialização em audiodescrição, na UFJF

Descrição da imagem: foto do prédio da Universidade Federal de Juiz de ForaEm memória de Ana Paula Crosara de Resende e Marco Antonio de Queiroz, o MAQ.

Esse curso nasceu da teimosia e da paixão de Ana Paula Crosara de Resende e do MAQ, como era conhecido o Marco Antonio de Queiroz – essas são as iniciais de seu nome.
 
Ambos eram amigos e ativistas em prol da Inclusão e da Acessibilidade e ambos nos deixaram cedo demais.
Ana Paula, cadeirante, advogada, moça bonita, elegante e vaidosa, marcava presença onde chegasse, com seus cabelos vermelhos, batom idem, um sorriso aberto de boas vindas e olhos que brilhavam, na alegria do encontro.
 
Já o MAQ era alto, magro, jeito de garotão carioca, boa praça e bom de papo. Ficou cego com pouco mais de 20 anos. Foi um dos primeiros a surfar na Internet, pegando a onda da acessibilidade. Tornou-se exímio nesta arte e ensinou muitos, sempre generoso.
 
Ambos eram fãs da audiodescrição e fizeram tudo o que puderam para divulgá-la e fortalecê-la.
Assim, em 2008, Ana Paula impetrou a Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental a favor da implantação da audiodescrição nas televisões e sistemas de telecomunicações do Brasil, que exigia imediatamente a audiodescrição em todos os contratos de concessão, permissão e delegação, garantindo sem restrições o direito das pessoas com deficiência a este tipo de serviço.
 
Posteriormente, quando Ana Paula estava na Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência, em Brasília, que é um órgão integrante da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, sugeriu a destinação de verba para a realização do 2º Encontro Nacional de Audiodescrição. O evento aconteceu em 2012, com a parceria da Secretaria e dos representantes dos audiodescritores e também organizadores do Encontro (dentre eles, Lívia Motta e Paulo Romeu Filho).
 
Um dos resultados do evento foi a constatação da urgência de oferecer cursos que atendessem à complexidade e às especificidades das inúmeras aplicações da audiodescrição. Nasceu então a proposta de um Curso de Especialização em Audiodescrição – este aqui, que começa hoje, 20/03/2014, graças à parceria da Universidade Federal de Juiz de Fora e especialmente da Professora Eliana Lucia Ferreira.
Como disse a Professora Lívia Motta, foi Ana Paula quem propôs e viabilizou o Encontro, de onde nasceu a ideia deste Curso. Esse foi um de seus muitos legados.
 
Como Ana Paula, MAQ também viveu intensamente: casou-se, teve um filho, criou um site (Bengala Legal), que depois deu origem a um blog, escreveu um livro, deu cursos e palestras e ensinou muitos a deixarem seus sites acessíveis. Em reconhecimento de seu trabalho, ganhou prêmios importantes.
 
Sua assinatura eletrônica era uma aula de inclusão, civilidade e acessibilidade: seu celular estava lá, pra quem quisesse falar com ele:
P. S.: Você está recebendo um e-mail de uma pessoa cega. Isto é inclusão digital! Comemore conosco. Uma sociedade inclusiva é aquela que reconhece, respeita e valoriza a diversidade humana.
MAQ – Rio de Janeiro – Cel.: (21) 9912-0000.
 
Mas uma das joias do seu currículo era ter sido o primeiro cego a ser jurado de filmes com audiodescrição, no Festival Assim Vivemos, quando conheceu esse recurso. Foi amor à primeira vista! Desde então, assistiu todos os filmes com audiodescrição, além de divulgá-lo através de artigos, que aliavam irreverência e profundidade.
 
Ana Paula e MAQ foram grandes incentivadores da audiodescrição. Portanto, é justo lembrar deles nesse momento histórico, quando começa o primeiro Curso de especialização em audiodescrição no Brasil, na Universidade Federal de Juiz de Fora. Creio que nem é preciso descrever o sorriso aberto dos dois, estejam onde estiverem. 
 
Fonte: site Bengala Legal.

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