Prefeitura permite que barracas de ambulantes cubram piso para cegos

Descrição da imagem: foto do piso tátil.Uma semana após a Tribuna denunciar que vários camelôs estavam instalados na Rua da Forca, ocupando com barracas e mercadorias o piso tátil que facilita a passagem de cegos pelo local, nada foi feito para mudar essa situação. Ontem pela manhã, a Reportagem da TB retornou ao local, e pode diagnosticar uma fileira de barracas posicionadas bem no meio da pista exclusiva dos deficientes visuais, fato que também ocorre em outras transversais requalificadas da área central da cidade.
Desde o ano passado que a Secretaria Municipal de Ordem Pública (Semop), órgão da Prefeitura, começou com processo de revitalização de algumas ruas transversais que ligam a Carlos Gomes à Avenida Sete de Setembro, para colocar camelôs que atuavam aleatoriamente pelas ruas do Centro, em locais apropriados.
Para facilitar o trânsito de deficientes visuais, a Prefeitura implantou pistas especiais nesses locais, para que os cegos pudessem se locomover pelas feiras, porém, na Rua da Forca, isso é impossível. A situação foi comprovada pela deficiente visual, a professora Iracema Vilaronga, que, ao caminhar pelo local, teve que driblar vários obstáculos e não pôde concluir o percurso devido às barracas estarem no meio da pista. “Isto é de uma falta de civilidade medonha. Não entendo como os fiscais da prefeitura permitem esta ocupação do piso tátil para os cegos pelos vendedores e suas barracas. Trata-se de uma falta de respeito com os deficientes visuais, coisa típica de cidade de gente mal educada”, comentou o professor Rui Andrade, 52, ao ver a equipe da Tribuna reportando o fato.
Sobre a situação, os camelôs se defenderam e disseram que foi ordem da Prefeitura para que eles pudessem ocupar o local. O relojoeiro Gilvandro é um dos barraqueiros que se instalou em cima do piso tátil. Ele disse que o espaço foi delimitado pela Prefeitura e eles não têm alternativa.
“Antes trabalhávamos pelas ruas do Centro, mas, depois do Carnaval fomos impedidos de continuar. Onde eu trabalhava lá estava há mais de 10 anos e vim pra cá. Pago R$ 190 por mês para ter a licença. O problema daqui é que o movimento está fraco e o que vendemos dá mal pra comer”, reforçou.
Vendas em baixa
 
Outra dona de barraca, Fátima Abreu ressaltou que os feirantes são solícitos aos cegos e quando algum aparece pela feira, eles, sabendo que a pista se encontra obstruída pelas barracas, conduzem os cegos até o final da feira. “Não temos outro espaço para ficarmos. Temos que atuar aqui no meio da pista tátil, mas ajudamos o deficiente a caminhar por aqui”. A mulher ainda reafirmou que o movimento de vendas tem caído muito, mas espera que melhore.
“Achei muito interessante a Prefeitura criar um espaço para tirar os barraqueiros das ruas. Porém, aguardamos que as pessoas venham comprar aqui na feira. Antes tinha muita bagunça de camelôs pelas ruas do Centro e agora essa situação está organizada e já podemos andar tranquilos pelos passeios”, explicou. A equipe da Tribuna tentou, mais uma vez, contato com os assessores da Semop, para saber se os ambulantes vão continuar trabalhando nos espaços destinados à passagem de deficientes visuais, porém, nenhum dos telefones do órgão atendia.
Fonte: site Tribuna da Bahia por Silvana Blesa.

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