Pai cria parque infantil adaptado para deficientes em memória da filha em SP

A tentativa de lidar com a tristeza pela morte da filha de quase 4 anos em um acidente doméstico deu origem ao projeto do primeiro parque infantil de São Paulo desenvolvido com foco na acessibilidade. Inaugurado em janeiro na zona leste da cidade, ele compõe o projeto Anna Laura Parque para Todos (Alpapato) e reúne crianças portadoras ou não de deficiência física na unidade da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD) da Mooca.

Iniciativas similares existem no País, mas com um ou outro equipamento adaptado. A primeira unidade do Alpapato, no entanto, reúne 14 brinquedos que acrescentam recursos lúdicos ao processo de reabilitação das crianças. “Elas vão se desenvolvendo à medida que se sentem à vontade para usar o brinquedo sem estar em uma sessão de terapia”, diz João Octaviano, superintendente geral da AACD.
Descrição da imagem: pai com seu filho cadeirante em um brinquedo adaptado.
Há cerca de um ano e meio, Octaviano foi procurado pelo engenheiro Rodolfo Fischer, o Rudi, que chegava ao Brasil após uma viagem a Israel. Lá, Rudi e a mulher visitaram pela primeira vez um parque acessível e se encantaram. Fazia dois meses que eles haviam perdido a filha Anna Laura. Pensaram, então, em construir parques como aquele no País para homenageá-la.
Ao contrário do que possa parecer, Anna Laura não tinha problemas de acessibilidade. Mas como qualquer criança, com deficiência ou não, era cheia de energia para brincar. “Anna brincava muito. Parece natural que busquemos permitir o lazer a crianças que hoje têm carência de alternativas”, conta Rudi. O engenheiro diz sentir satisfação de ver uma criança aproveitando um brinquedo “que raramente ou nunca tenha aproveitado antes”.

O investimento para construção do parque saiu do próprio bolso. Foram R$ 150 mil para o projeto-piloto instalado na Mooca, que servirá de modelo para outros dois projetos, em unidades da AACD de Porto Alegre e do Recife. A inauguração está prevista para este ano. A ideia é implantar outros dois projetos de parque em áreas públicas – mas ainda sem prazo e locais definidos. Todos devem sair por custo mais baixo que o primeiro, pois já não demandarão a etapa de design, desenvolvimento de materiais e ajustes finais.
O gasto de manutenção pode chegar a R$ 10 mil por ano e deve ser bancado pelo receptor das doações. Rudi lembra que o valor não inclui a ajuda de dezenas de profissionais das mais diversas áreas que trabalharam de forma voluntária.
Além dos projetos dos futuros parques, Rudi se dedica hoje ao livro “Em nome de Anna”, que deve ser lançado este ano, em que conta a história da filha e como lidou – e vem lidando – com sua ausência. A rotina é dedicada ainda aos cuidados com os filhos Arthur e Felipe, o caçula, que nasceu no último dia 6. “A chegada do Felipe, assim como a presença do Arthur, os dois irmãos de Anna Laura, nos inspiram e motivam.”
O parque fica na rua Taquari, 549, e abre para o público às segundas, quartas e sextas, das 10h às 12h e terças e quintas, das 15h às 17h.
Fonte: site Último Segundo por Clarice Sá.

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