Mineira conquista Mundial de Luta de Braço para deficientes físicos

Descrição da imagem: mulher em uma academia fazendo exercício físico levantando um peso.O mês de outubro vai ficar marcado para a para-atleta Abadia Nascimento, de 52 anos. A moradora de Pará de Minas, no Centro-Oeste de Minas Gerais, voltou da Polônia com a terceira conquista do Campeonato Mundial de Luta de Braço para deficientes físicos, realizado entre os dias 7 e 12 de outubro.

Ela faturou medalhas de ouro e prata. A primeira, com o braço direito. A segunda, com o esquerdo. A competição foi a primeira dedicada exclusivamente a pessoas portadoras de necessidades especiais e contou com a participação de delegações de 18 países.

O sucesso da mineira no esporte começou a ser plantado há oito anos, após passar um longo período se recuperando da depressão. Abadia trabalhava como repórter de TV e como locutora de rádio. Em 2002, precisou fazer uma cirurgia na perna esquerda para a retirada de um tumor. A operação causou-lhe paresia, um tipo de disfunção ou interrupção dos movimentos de membros. Desde então, passou a conviver com muleta para se locomover.

— Tive depressão profunda. Ninguém vinha me ver, mas eu também não gostava de receber visitas naquela fase da minha vida — contou.

A mudança começou em 2006, quando Soraia Mantovani, considerada uma das principais incentivadoras da luta de braço em Minas Gerais, fez contato com pessoas de Pará de Minas à procura de deficientes físicos interessados em participar de uma seleção para um campeonato de luta de braço.

— Quando ela me ligou para fazer a proposta, quase desliguei o telefone na cara dela, achando que fosse trote, mas ouvi e topei. Duas semanas depois, Soraia me ligou novamente, para avisar que havia feito minha inscrição para o Campeonato Mineiro, que ocorreria em Santa Luzia — relembrou. 

Abadia havia sido campeã de arremesso de peso durante os Jogos de Minas (Jimi), mas nunca havia disputado uma luta de braço. Ela também não sabia que existia um campeonato desse esporte para pessoas com deficiência física. Resultado: voltou de Santa Luzia com o ouro na categoria Sênior.

— Minha força tem muito a ver com genética, eu acho. Meu pai trabalhava bastante e era muito forte — contou.

Depois, a atleta foi realocada para a categoria Máster, para quem tem idade acima de 40 anos, e ganhou competições regionais. Em casa, guarda mais de 40 troféus e dezenas de medalhas.

— Depois, fui classificada para viajar para uma luta em Pernambuco, em 2006. Fui sozinha e venci lá também — relembrou.

Abadia se classificou para o Interclubes e também venceu na categoria dela. Classificou-se, então, para o Mundial de Luta de Braço, ainda em 2006.

— Nunca perderia a oportunidade do Mundial. Por não ter dinheiro para ir, pedi ajuda a empresários. Mandei ofícios para órgãos públicos e fiz muitas outras coisas. Tudo para conseguir R$ 5 mil para ir a Manchester, na Inglaterra, onde fui campeã do mundo — afirmou a competidora, que repetiu o feito em 2009.

Depois disso, Abadia Nascimento não ficou fora do pódio em nenhuma competição que disputou. Acumulou primeiros, segundos e terceiros lugares em vários campeonatos de menor alcance. Agora, tricampeã mundial, ela mantém a força com musculação em uma academia da cidade 2h por dia, três vezes por semana.

— O problema é que pouca gente reconhece. Tenho, claro, meus admiradores aqui em Pará de Minas. Mas é muito difícil conseguir patrocínio para treinar e continuar participando de competições internacionais. Por isso, tenho muito orgulho de ter representado e ainda poder representar o Brasil em campeonatos lá fora — concluiu.

Fonte: site do Globo Esporte por Ricardo Welbert.

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