Menina com deficiência fica sem consulta

Descrição da imagem: na sala de casa, os pais estão assentados no sofá e a menina com deficiência deitada em um colchão no chão.Os pais adotivos de uma deficiente física e neurológica alegam que um problema técnico em um elevador da clínica Vitae Center impossibilitou que a filha fosse atendida por um médico. Por uma infeliz coincidência, o fato aconteceu em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, no dia 3 de dezembro, justamente quando se comemora o Dia Internacional do Deficiente Físico.

Segundo o consultor de visto Jaime Anastácio Medina, 61, pai adotivo de Ana Paula Palhares de Jesus, 41, a clínica foi procurada porque a filha apresentava tosse e já havia ido a um médico, entretanto, não havia apresentado melhora. A família, então, procurou indicações e marcou uma consulta com outro clínico geral. “No dia da marcação, eu perguntei se a clínica tinha acessibilidade. Eles me informaram que sim”, disse Medina.

Ainda conforme o consultor, ele necessitou da ajuda do filho Rodrigo Palhares Medina, 35, para levar Ana Paula até a clínica. “A gente precisa de um terceiro, porque pode acontecer de eu não dar conta (de carregá-la) no meio do caminho”, explica Medina, relatando a já constante dificuldade de transportar a filha.

Ao chegarem à Vitae Center, Medina subiu até o primeiro andar, e, com o elevador quebrado, Ana Paula ficou no térreo na companhia do irmão e da mãe adotiva, Ivone Medina, 62.

Após fazer a ficha, Medina relatou que foi informado de que o clínico geral não iria prestar o atendimento. “A atendente me disse que o médico havia informado que não iria descer para atendê-la, porque iria atrapalhar a rotina de trabalho”, conta o pai de Ana Paula.

Espera. Com o dinheiro da consulta nas mãos, o pai adotivo reiterou que a filha não tinha condições de subir as escadas e que é difícil transportar Ana Paula até um centro de saúde. “Não me deixaram ver o médico. Eles o blindaram”, afirma. Medina então desceu até o térreo e contou para o filho que o clínico não poderia descer os cerca de 30 degraus para fazer a consulta. Uma funcionária tentou resolver o problema e ofereceu que outro médico fizesse o atendimento.

Depois de hesitar no primeiro momento, a família aceitou a oferta. “Veio uma pessoa da diretoria, que não pediu desculpas, e disse que arrumaria uma médica”, acrescentou o consultor. Nesse momento, conforme Medina, o trio já estava esperando por mais de uma hora na clínica.

A família aguardou por mais 30 minutos, no entanto, a outra médica não apareceu. Eles resolveram deixar a clínica mesmo sem a consulta. “O exame dela era tão simples que poderia ser feito até na rua. Era necessário somente olhar a garganta, o pulmão e a pressão”, concluiu Medina.

O que diz a lei

Acessibilidade. Segundo a presidente da Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência da OAB/MG, Ana Lúcia de Oliveira, a legislação prevê que a sociedade se adapte às pessoas com deficiência, e não o contrário. Todos os lugares devem ser acessíveis.

Descumprimento. Conforme Ana Lúcia, as pessoas com deficiência podem registrar ocorrência policial em caso de desrespeito aos direitos. O caso pode gerar indenizações. “Só haverá a efetivação de direitos quando mexer no bolso”.

Fonte: site do Jornal O Tempo por Aline Diniz.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*
*
Website