Grupo de karatê inclui crianças com deficiência em Boa Viagem

O que é para ser uma aula de karatê, em que o professor Manuel Laurentino ensina técnicas da arte marcial, se torna também uma aula de cidadania no complexo esportivo Santos Dumont, em Boa Viagem, Zona Sul do Recife.

É que, no meio das dezenas de alunos, há 13 pessoas com deficiência, que participam da inclusão. Vinícius, de 8 anos, encontrou no grupo a acolhida que precisava para evoluir com relação ao autismo.

“Meu filho não se integrava com outras crianças, era muito fechado e, desde que entrou aqui, passou a interagir mais e a se abrir mais”, conta a mãe de Vinícius, Marcela Oliveira.

“Antes de entrar aqui, ele participava de uma natação, mas sofria muita discriminação tanto dos outros alunos, como dos professores. Mas aqui ele foi acolhido e se sente muito bem. Fica perguntando todo dia se vai ter aula de karatê”, acrescenta Marcela. “Quem vê Vinicius hoje não acredita no desenvolvimento dele”, completa a mãe de Vinícius.

Foto do professor com alguns do alunos que possuem algum tipo de deficiência.

Rogério, Vinícius e Hérica não perdem uma aula do professor Manuel (foto: Geraldo Lélis/PorAqui)

As aulas são gratuitas e acontecem às terças e quintas-feiras pela manhã e tarde, mas, apesar de os alunos não pagarem nada e dos professores não receberem, todos saem ganhando. “São pessoas que fazem com que eu não perca a paciência com ninguém nem com nada, e me inspira para o dia a dia. Além do que enriquece mais meu trabalho”, explica o professor Manuel.

“Eu tive essa ideia porque vários dojôs (academias de karatê) não querem receber essas pessoas com especialidades, mesmo pagando, e lá no Santos Dumont, tem mais de 20 modalidades com inclusão, então eu decidi incluir também no karatê”, conta. “Comigo treinam todos juntos. Claro que os especiais têm mais dificuldade, mas eles se dedicam muito. Participam de competição, fazem os exercícios direitinho”, completa.

Hérica, de 35 anos, com síndrome de Down, é a mais antiga, com quatro anos de prática e já tem a faixa preta. “Ela gosta muito de vir. Fica contando as horas pra vir de novo”, conta a mãe de Hérica, Josiane dos Santos. “Eu gosto porque esportes em geral ajuda muito na disciplina. Aqui o professor brinca, mas também dá bronca se tiverem fazendo errado”, comenta.

Foto de alunos praticando o Karatê.

Depois de fazer todos os exercícios, é chegada a melhor parte: a hora de lutar! (foto: Geraldo Lélis/PorAqui

Já Rogério, 14 anos, está no grupo há quase seis anos e não perde um dia. “Quando ele não vem pra aula, ele fica muito triste em casa”, afirma a mãe Edileuza da Silva. “Pra mim e pra ele, foi maravilhoso isso aqui, porque se sente mais alegre, mais satisfeito. Quando não vem, é outra pessoa”.

Ao todo, são 13 alunos com deficiência que participam das aulas de karatê. “Eu faço questão que eles treinem junto com as outras crianças, e o convívio é muito bom. Só tem alguma coisa quando os alunos brincam entre si, porque os especiais às vezes não sabem a medida da brincadeira, mas não é nada que não dê para contornar”, encerra Manuel.

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