Futuro das próteses biônicas começa com aparelho de surdez

Pouco tempo atrás, Dick Loizeaux se viu zanzando numa boate nova-iorquina barulhenta. Foi algo incomum; ex-pastor de 65 anos, Loizeaux começou a sofrer de perda auditiva há quase uma década e boates não são seu hábitat. “São os piores lugares do mundo para ouvir alguém conversar”, ele disse. Porém, dessa vez foi diferente. Loizeaux fora à boate testar o GN ReSound Linx, um dos dois novos modelos de aparelhos avançados para surdez que podem ser ajustados com precisão por meio de um programa embutido no iPhone, da Apple.

Descrição da imagem: foto do aparelho auditivo sendo segurando por uma pessoa.

Quando entrou na boate, Loizeaux pegou o telefone para colocar o aparelho em “modo de restaurante”. O ambiente amplificava o som vindo dos microfones voltados para a frente do aparelho, reduzindo o barulho de fundo. Para reduzir o volume da música, ele abaixou os graves do aparelho e aumentou os agudos. Então, quando começou a conversar com a pessoa à sua esquerda, Loizeaux usou o telefone para favorecer o microfone no ouvido esquerdo, diminuindo o do direito.

Os resultados impressionaram. “Depois de alguns ajustes, eu estava mantendo uma conversa confortável numa boate”, Loizeaux me contou durante uma recente entrevista telefônica – uma ligação que seria difícil de realizar com o antigo aparelho de audição. “Minha esposa estava do meu lado na boate e não conseguia entender direito aquela minha conversa, e olha que sua audição é perfeita.”

FUTURO AGORA. É um pequeno exagero dizer que a safra mais recente de aparelhos avançados de audição é melhor do que a maioria dos ouvidos com que nascemos. Os aparelhos podem transmitir telefonemas e música diretamente para os ouvidos por meio do telefone. Eles podem ajustar os sistemas acústicos ao local; quando o telefone detecta que você entrou no seu bar preferido, ele ajusta o aparelho de audição àquele ambiente.

Os aparelhos auditivos podem até deixá-lo transformar o telefone num par extra de ouvidos. Se você estiver papeando com uma colega de trabalho numa mesa comprida, deixe o telefone diante dela que suas palavras serão transmitidas diretamente para seus ouvidos.

Os aparelhos auditivos são o lugar natural para começar nossa jornada biônica. Aproximadamente 36 milhões de norte-americanos adultos relatam algum grau de perda auditiva, segundo o Instituto Nacional da Surdez e Outros Distúrbios de Comunicação, mas apenas um quinto das pessoas que poderiam se beneficiar com um aparelho o usam.

Isso porque tais equipamentos, como exemplo de tecnologia, há muito pareciam presos ao passado. “A maioria das pessoas imagina grandes e desajeitadas bananas acopladas atrás das orelhas, mostrando a todo mundo que você está envelhecendo”, afirmou Ken Smith, audiólogo de Castro Valley, na Califórnia, que adaptou mais de duas dúzias de pacientes ao Linx.

“Muita gente que poderia se beneficiar com um aparelho agora não tem desculpa – eles dizem que é muito desajeitado ou que não é legal”, afirmou Morten Hansen, vice-presidente de parcerias e conectividade da GN ReSound.

Fabry, da Starkey, foi mais direto: “Nós pensamos em fazer dos aparelhos para surdez uma coisa bacana”.

Esteticamente, as duas companhias parecem ter feito algo similar. Os aparelhos auditivos da GN ReSound e da Starkey são extremamente pequenos e atrativos; cada um tem apenas uma fração do tamanho de um fone de ouvido convencional com Bluetooth e, quando são colocados atrás das orelhas, são praticamente invisíveis.

 Fonte: site do jornal O Tempo por FARHAD MANJOO do THE NEW YORK TIMES.

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