Extinção de cobrador preocupa conselho

Descrição da imagem: foto do local onde o trocador fica assentado, ao lado da roleta, ao fundo o motorista.Moradores de Campinas ainda reclamam da retirada dos cobradores do sistema de transporte coletivo da cidade, que está sendo implementada gradativamente. Mas uma parcela da população tem um motivo muito especial para pedir a permanência deles. Os deficientes físicos veem nesses funcionários grandes aliados em tarefas que para outras pessoas podem parecer simples, como vencer os degraus para acessar os veículos. O CMPD (Conselho Municipal de Direitos da Pessoa com Deficiência) prepara um pronunciamento sobre o assunto, que também é tema de um projeto de lei que está em tramitação na Câmara e de reclamações de usuários.

Durante uma blitz realizada pela CEE (Comissão Especial de Estudos) do Transporte, criada para averiguar denúncias de irregularidades de atrasos e desvios de rota, a dificuldade dos deficientes veio à tona. Além de receber queixas sobre o tema, os vereadores localizaram um cadeirante que havia sido deixado no ponto de ônibus, sob alegação de que não havia como fazer funcionar o elevador para a cadeira de rodas. De acordo com o gabinete do vereador Tico Costa (SD), presidente da comissão, as reclamações e o flagrante serão encaminhados para os responsáveis pelo transporte, junto com centenas de outras denúncias.

“Tomam as decisões sem consultar os interessados”, critica o advogado Vicente de Paulo Montero, presidente do Instituto Campineiro dos Cegos Trabalhadores. Segundo ele, os cobradores vão fazer muita falta. Montero diz que os deficientes têm capacidade para se adaptar, pois demonstram uma força de vontade elevada em tudo o que fazem, mas afirma que a medida não deveria ser adotada.

“A população, agora, vai ter que ajudar bastante, principalmente com explicações sobre os locais de paradas. O advogado diz que os deficientes sabem onde descer nas linhas onde estão habituados, o que não acontece quando se deslocam para regiões da cidade onde não estão acostumados. “Essa medida causa muita preocupação”, desabafou.

PROJETO

A ajuda que os cobradores prestam aos usuários deficientes é um dos argumentos que fundamentam projeto de lei do vereador Pedro Torinho (PT) que prevê a obrigatoriedade de um segundo funcionário dentro do ônibus, além do motorista. Previsto para ser votado em breve, o PL tem uma emenda do vereador Cid Ferreira (SD), para que o segundo funcionário seja o cobrador.

Durante audiência pública realizada para debater o projeto, o secretário de Transportes e presidente da Emdec (Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas), Carlos José Barreiro, disse que a cidade não vai conseguir cumprir um decreto presidencial exigindo que todos os municípios brasileiros implantem as condições necessárias para a plena acessibilidade no transporte público até dezembro deste ano. Até agora, cerca de 70% da frota foi adaptada.

“Não está descartado que estas funções específicas, em determinados horários e linhas, serão ou não criadas. Por enquanto, temos 30 dias de adaptação para ver os problemas, e depois serão mais 30 para resolvê-los”, afirmou o secretário, na Câmara.

A deputada estadual Célia Leão (PSDB), conhecida por atuar nas causas dos deficientes físicos, defende a realização de cursos para tornar os motoristas mais capacitados para lidar com passageiros com deficiência.

Fonte: site Todo Dia por Paulo Campinas.

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