Dia da Pessoa com Deficiência “Física”: novos desafios

Neste 11 de outubro, é importante entender porque o termo correto é ‘Pessoa com Deficiência’.

Ao usar essa terminologia, reforçamos a segregação. Se refletirmos sobre o significado do termo “portador”, entenderemos que é aquele que porta algo, ou seja, que é possível que ele se desvencilhe, remetendo-nos a algo temporário. A deficiência é algo, muitas vezes, permanente. Além disso, quando chamamos alguém de “portador de deficiência”, classificamos como principal característica desse indivíduo a deficiência em detrimento da sua condição enquanto sujeito. O termo correto é Pessoa com Deficiência (PcD).

 A diferença entre o uso das expressões “pessoa portadora de deficiência” e “portadores de deficiência” está entre ressaltar o indivíduo frente a sua deficiência, independentemente de suas condições físicas ou cognitivas. Ainda hoje, observamos o uso corriqueiro de termos como:  “especiais” e sua derivação “pessoas com necessidades especiais”. “Necessidades especiais” quem não as tem? O uso desses termos parece querer camuflar ou esconder a deficiência.
 Segundo o professor Romeu Sassaki, não devemos rotular a pessoa pela sua característica física ou cognitiva e sim valorizar o sujeito acima de suas limitações. Para construirmos uma verdadeira sociedade inclusiva, temos que cuidar da linguagem. Através dela, expressamos, voluntária ou involuntariamente, o respeito ou a discriminação em relação às pessoas com deficiência. Precisamos entender que a pessoa com deficiência antes de ter deficiência é, acima de tudo, um sujeito.
 
A fisioterapia tem um papel importante não só no processo de reabilitação, como também no processo de esclarecimento sobre o uso adequado da terminologia e também na discussão dos conceitos que envolvem a temática inclusão social.  Alguns podem acreditar que isso se trata apenas de um jogo de palavras, mas não, a língua portuguesa é rica e mutável e devemos utilizá-la para defender nossos ideais, contribuir para a formação de profissionais e cidadãos melhores.

Referências:

SASSAKI, R K. Terminologia sobre deficiência na era da inclusão. Revista Nacional de Reabilitação. 2002:24; 06-09.

POSTAL, Jairo. Cadeirantes em ação: uma abordagem semiótica da inclusão social do deficiente motor nas narrativas ficcionais. Cadernos de Pós-Graduação em Letras. 2009:8; 1-10.

ATENÇÃO: a fonte das matérias publicadas neste blog, sempre será indicada. Caso tenha alguma dúvida sobre a matéria ou algo nesse sentido, peço a gentileza em entrar em contato com os responsáveis pela a fonte.

Fonte: site iSaúde Bahia por Luciana Oliveira Rangel Pinheiro.

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