Desenho Universal no ambiente e acessibilidade comunicacional são foco de palestra na Hospitalar

Na manhã desta terça-feira, dia 20 de maio, foi aberta a 21ª edição da Feira + Fórum Hospitalar, considerada a maior feira e fórum de saúde do Brasil. Entre os destaques desse ano está a 37º edição do Congresso Brasileiro de Administração Hospitalar, que contou, nesta manhã, com a palestra “Estratégias para a Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência no Âmbito da Engenharia e Arquitetura Hospitalar”, ministrada pela médica, professora titular da USP e Secretária de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo, Dra. Linamara Rizzo Battistella. A Feira Hospitalar segue até o dia 23 de maio, em São Paulo.
Descrição da imagem: em uma palco, duas médicas assentadas onde uma delas fala sobre acessibilidade em hospitais.Para uma plateia de dezenas de arquitetos e profissionais da área hospitalar e engenharia, a Dra. Linamara destacou a importância dos aspectos da acessibilidade, em suas diferentes vertentes, no atendimento às pessoas com deficiência, que somam 45,3 milhões no Brasil e 9,3 milhões no Estado de São Paulo. “A acessibilidade serve às pessoas com e sem deficiência, serve a todos, sem distinção. A acessibilidade ambiental e a comunicacional permitem a construção de um sentimento de pertencimento, de cidadania, no paciente. E os profissionais de Arquitetura e Engenharia são a locomotiva das mudanças necessárias no espaço hospitalar”, frisou.

A Secretária destacou, ainda, que a importância dos recursos de acessibilidade estão presentes na Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, protocolo internacional com status de emenda constitucional, e no Relatório Mundial sobre Deficiência. Ela frisou que o Relatório aponta a vulnerabilidade das pessoas com deficiência na área da saúde, em virtude da falta de acessibilidade no atendimento, tanto na comunicação, como nos equipamentos das salas de consultas e exames. Segundo o Relatório “pessoas com deficiência experimentam piores níveis de saúde do que a população em geral”.

“O desenho universal deve estar presente em todo o espectro do cuidado, em todos os serviços hospitalares”, enfatizou a Doutora Linamara. Como exemplo ela citou uma solução simples, mas nem sempre óbvia ou presente nas salas de exames: a mamografia com altura regulável, para que as mulheres com lesão medular possam fazer seus exames de mama sentadas. “Não é uma solução tão complicada e resulta em mais conforto e segurança a quem tem a mobilidade comprometida”, destacou.

Ainda no campo da acessibilidade nos equipamentos, a médica frisou a importância de maca (cama de consulta) com altura regulável, a fim de facilitar a transferência da pessoa em cadeira de rodas. “O que mais constatamos no registro de queixas dos pacientes é a falta de acessibilidade arquitetônica e ambiental. Aqueles degraus da cama de consulta podem, inclusive, ocasionar quedas que agravem o quadro do paciente”, destacou.

A Secretária também chamou a atenção a um ponto recorrente: considera-se que a pessoa com deficiência sempre será o paciente, mas cada vez mais há profissionais da saúde, como médicos e enfermeiros nessa condição. “O atendimento à diversidade humana deve ser premissa em todos os ambientes hospitalares e a acessibilidade um recurso que confira independência e autonomia. Está comprovado que uma edificação ou ambiente que considere a acessibilidade desde sua concepção, o custo adicional será de 1% sobre o valor da obra, mas se o ambiente ou espaço tiver que ser reformulado depois, adaptado para dar condições plenas de acesso e atendimento, o custo é imprevisível”, alertou.

Sobre a Secretária Dra. Linamara

Diretora do Instituto de Medicina de Reabilitação do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (IMREA) por mais de 20 anos, antes de ser nomeada Secretária de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Dra. Linamara Rizzo Battistella é médica fisiatra, com  Doutorado, e é Professora Titular da disciplina de Fisiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

É coordenadora do Grupo de Trabalho do Comitê de Humanização do Hospital das Clínicas de São Paulo e foi Presidente da International Society of Physical and Rehabilitation Medicine – ISPRM, (Sociedade Internacional de Medicina Física e Reabilitação) no biênio 2004-2006. Atualmente é Presidente Honorária da entidade.

À frente da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo, desde 2008, articula ações que resultem em políticas públicas em prol da inclusão social das pessoas com deficiência.

Fonte: site da Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*
*
Website