Danos no cérebro bloqueiam capacidade de identificar rostos

Descrição da imagem: objeto em forma de um cérebro humano na cor cinza.Por ser míope e até se considerar “um pouco distraída”, a jornalista de Porto Alegre Josiane Guglielmi de Souza, 34, sempre achou que a sua dificuldade para identificar o rosto das pessoas estivesse relacionada a esses dois fatores. O que ela não imaginava é que fizesse parte de uma parcela da população que sofre com a prosopagnosia – condição considerada uma espécie de cegueira para feições.

A prosopagnosia não está associada a nenhum problema de visão, mas a um “defeito” no processamento cerebral, conforme esclarece a neurologista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) Sônia Brucki. “O cérebro humano possui uma região conhecida como temporo occipital, que é responsável por áreas de associação de estímulos visuais, de processamento do conhecimento dos objetos e das informações. Então, quando tem uma lesão nessas regiões, principalmente de forma bilateral, ocorre a perda do reconhecimento”, afirma.

Segundo Sônia, a prosopagnosia “não é uma doença, mas um sintoma que pode estar ligado a várias patologias graves, como o Acidente Vascular Cerebral (AVC), tumores e alterações nos quadros demenciais”.

No caso da Josiane, o problema surgiu após um trauma, mas a condição também pode ser genética. “A prosopagnosia de desenvolvimento pode acontecer desde o crescimento, quando a criança vai tendo alterações no processo e nas habilidades de reconhecimento de faces, ou após algum problema durante o pré-natal”, explica Sônia.

O diagnóstico surge, em muitos casos, por uma queixa dos familiares, como pais, mães e filhos, que estranham o comportamento. “A descoberta foi por acaso. Nem imaginava que eu tinha algo diferente, até que li sobre o problema há uns três anos. Busquei a ajuda de um psiquiatra e posteriormente de um neurologista que confirmaram a condição”, conta Josiane.

Tratamento. Sem um tratamento para essa condição, também não é raro que os prosopagnósicos muitas vezes convivam normalmente sem se darem conta do problema. Sônia explica que no caso de lesões irreversíveis a opção é dar dicas para que o paciente utilize outras vias de reconhecimento e desenvolva estratégias compensatórias. Em outros casos, a retirada do tumor pode reverter o quadro parcialmente ou totalmente. “Em geral, o problema não traz nenhum risco de morte”, afirma a neurologista.

A jornalista conta que resolve o problema utilizando mecanismos de compensação para identificar as pessoas. “Uso a identificação através de outros pontos, como cor de cabelo, altura, peso, marcas, tatuagens, roupas, ambiente que frequenta. O problema é quando as pessoas mudam algo em si ou as encontro em outro local diferente”, diz.

Fonte: site do Jornal O Tempo por Litza Matos.

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