Brasília terá narração de jogos da Copa para deficientes visuais

Descrição da imagem: dois narradores voluntários em uma cabine de transmissão do jogo.Voluntários do projeto de narração audiodescritiva contarão os lances dos jogos da Copa do Mundo às pessoas cegas ou com problemas de visão. O primeiro teste do serviço na capital federal foi feito na quinta-feira (1º), durante a partida entre Brasília x Sport Recife, no Estádio Nacional Mané Garrincha.

No Mundial, haverá dois locutores por jogo, e a narração será transmitida por radiofrequência e captada em fones de ouvido individuais. Os torcedores deficientes visuais poderão se sentar em qualquer lugar do estádio. A narração audiodescritiva dará ênfase a detalhes como emoção dos torcedores, clima de jogo, descrição do gramado, entre outros aspectos mais subjetivos e característicos do sentido da visão.

Essa foi a segunda vez que a audiodescrição foi testada no Brasil – a primeira foi no Rio de Janeiro. Além de Brasília, apenas a capital carioca, São Paulo e Belo Horizonte contarão com o diferencial nos jogos do Mundial. Na disputa de quinta-feira, válida pela Copa do Brasil, os quatro jovens que atuarão nas sete partidas marcadas para o Mané colocaram em prática os conhecimentos e as habilidades adquiridas em mais de dois meses de treinamento intenso.

Eles narraram todo o jogo, ao vivo. Tudo com a supervisão do criador do projeto, inédito no Brasil, o jornalista Martin Zwischenberger. Para o austríaco, o maior legado da iniciativa é a inclusão social e a continuidade da narração audiodescritiva país afora, já que os equipamentos de transmissão ficarão com as cidades-sede.

—  Nossa expectativa é que não termine com a Copa do Mundo, mas seja apenas o começo.   O projeto já existe em países da Europa e é pioneiro na América Latina. No Brasil, é realizado por meio de uma parceria entre a FIFA, a ONG Urece Esporte e Cultura para Cegos, do Rio de Janeiro, e o Centro de Acesso ao Futebol na Europa (CAFE). Os equipamentos usados foram adquiridos pela FIFA.

O serviço permitirá, ainda, que os espectadores tenham uma experiência mais rica e próxima da realidade dos jogos de futebol. Para isso, são valorizados itens como linguagem corporal, expressão facial, entorno, lances, uniformes, cores e qualquer outro aspecto importante para transmitir a aparência e o ambiente do estádio.   Narradores e narradoras.

Os voluntários foram selecionados em universidades. Para garantir a diversidade nas narrações, foram escolhidos homens e mulheres com perfis em áreas como o esporte e a deficiência visual. O olhar apurado para os aspectos visuais de uma partida de futebol também foi um dos requisitos. Eles passaram ainda por entrevistas antes de serem escolhidos.

Em Brasília, toda a equipe é formada por jornalistas que moram na cidade. Um deles é Rodrigo Serpa, 25 anos. Para ele, a expectativa é que o projeto se torne permanente.

— Se fala tanto em legado após a Copa do Mundo, especialmente em relação a questões estruturais, mas acho que esse também é um legado humano importante, de inclusão social. Espero que isso se espalhe para os campeonatos de futebol e também para outros esportes.

Animada com a possibilidade de proporcionar uma experiência diferenciada às pessoas com deficiência visual, Patrícia Osandón, 29 anos, espera surpreender o público-alvo do projeto.

— Nós seremos os olhos delas.

 Fonte: site R7.com com Agência Brasília.

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