Brasileiros, Skatistas e Deficientes físicos

As “limitações” desses skatistas não é maior que o amor pelo esporte

Não espere uma matéria será do tipo “E você acha que tem motivos para reclamar?”. Esse não será o foco desse post. A ideia não é usar o nome dos skatistas dessa matéria para dar lição de moral em ninguém. Os dois atletas citados aqui merecem respeito, não só pelo lance de superarem suas “limitações”, mas também por serem verdadeiros campeões do skate.

Falarei sobre a vida desses caras na cena do skate, sobre suas conquistas e sobre o que passaram para chegar onde estão. Tudo isso para mostrar o valor do esporte na vida de cada um deles.

Og de Souza: Nascido em Olinda, Pernambuco, Og de Souza teve poliomielite na infância.Começou a andar de skate como uma forma de seguir em frente com sua vida. “Sou igual a todo ser humano, o skate mudou pra valer a minha vida e me fez ver o mundo com outros olhos”, disse.

Descrição da imagem: foto do Skatista Og de Souza, ele está em cima do esqueite fazendo uma manobra e não tem as duas pernas.

Se você era skatista ou já vestia a camisa em prol do esporte na década de 90, deve ter ouvido falar dele. Esse cara marcou história no Brasil quando voava nas pistas com seu carrinho. E continua arrancando aplausos até hoje.

Na Alemanha foi vice campeão de skate profissional, correndo na liga mundial com grandes skatistas da época, e ganhou prêmio por melhor manobra. Og não parou por ai, é muito comum vê-lo correndo em altos campeonatos de skate street que rolam por aí.

Em 2005 foi homenageado por Bob Burnquist, no vídeo The Reality of Bob Burnquist. Sua glória não parou por ai. Em 2006 foi convidado para protagonizar o filme “Skate na Veia”, que teve sua foto na capa. No ano seguinte foi foco na abertura dos Jogos Parapan-Americanos do Rio.

Ítalo Romano: O brasileiro foi o primeiro skatista sem pernas a dropar da Megarrampa. Assim que dropou, não conseguiu atravessar o vão da rampa e caiu na rede de proteção. Você tá achando que Ítalo amarelou depois dessa, não é?

Descrição da imagem: foto do Skatista Ítalo Romano, ele está em cima do esqueite fazendo uma manobra e não tem as duas pernas.

Que nada, lá foi ele mais uma vez. Agora mais rápido e mais confiante. Desceu os 27 metros da rampa, pulou, e atravessou uma distância de mais ou menos três carros. Não conseguiu cair na base, mas nem precisava. A galera já tinha ido à loucura com esse feito.

Nesse dia além de Ítalo Romano, outro deficiente físico dropou da Megarrampa. Aaron Wheelz também desceu, mas ele foi com sua cadeira de rodas. Esses caras são doidos! Segundo Bob, muitos skatistas já amarelaram lá em cima, mas eles não. Esses caras são insanos.

Esse também é outro grande nome dos skatistas deficientes físicos aqui do Brasil. Jovem de 21 anos, morador de Curitiba,perdeu as pernas ainda quando criança, quando se pendurou no vagão de trem para pegar uma “carona”.

Como todo bom skatista, Ítalo levantou-se depois da queda e seguiu em frente. Conquistou o Campeonato Paraense de Skate Amador, competindo com skatistas que não têm deficiência.

Continuou ralando os trucks e fazendo suas manobras até chegar ao programa Caldeirão do Hulk, na Rede Globo. Lá, além de ganhar os desafios propostos pela produção do programa, recebeu a proposta de dropar da Megarrampa mais desejada pelos skatistas, lá em Bob Burnquist Dreamland, na Califórnia.

Fonte: site Skate Life 4 Por André Periot.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*
*
Website