UFMG planeja testes de técnica contra a doença de Alzheimer

Uma técnica já conhecida da ciência há duas décadas para tratamentos neurológicos será agora uma importante aposta contra a doença de Alzheimer. Após 12 anos de estudos, pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) vão começar a testar em humanos a neuromodulação – também conhecida como Estimulação Magnética Transcraniana (EMT). Os pesquisadores aguardam o aval do Conselho Regional de Ética para autorizar as atividades em pacientes.

Não invasiva, a EMT parte do princípio de que o cérebro é plástico e, portanto, capaz de ser moldado, visando estimular os neurônios a atingirem o efeito desejado. A partir disso, são aplicadas ondas eletromagnéticas no cérebro para tratar doenças neuropsiquiátricas, o que também tem revelado melhora na memória, explica a professora da UFMG Maria Aparecida Bicalho, membro do projeto.

Segundo ela, os testes vão avaliar cerca de cem pessoas, entre 40 e 80 anos, divididas em dois grupos: aquelas que já foram acometidas pelo último grau do Alzheimer – a demência –, e as que ainda não desenvolveram os sintomas, mas que apresentam fatores altíssimos de risco.

“O tratamento vai durar seis meses. Começa com sessões de 15 minutos de estimulação dos neurônios, de três a cinco vezes por semana, durante um mês e meio. Nesse período, vamos analisar se haverá retardo nos efeitos do Alzheimer e se, possivelmente, haverá evolução nas atividades cognitivas”, explica. Além disso, um ambulatório está sendo montado para atender esses pacientes durante o processo.

Histórico. Até o momento, a pesquisa foi desenvolvida em animais. O processo consistiu na estimulação transcraniana com o uso de uma touca com eletrodos que, ao serem estimulados pelo aparelho, agiram no córtex pré-frontal-dorsolateral direito do cérebro. No dorso esquerdo, os cientistas usaram a técnica como placebo, ou seja, sem estímulo elétrico. Os resultados mostraram uma mínima diferença no lado esquerdo. Porém, do lado direito, houve mudança na memória espacial e temporal, ficando acima da média da normalidade.

Um dos aspectos abordados foi a memória operacional. Ela diz respeito ao armazenamento e à manipulação de informação, sendo necessária para o funcionamento de ações complexas, como as funções executivas, de linguagem e aprendizado. Nesse sentido, a EMT vai possibilitar o aumento da atividade nas áreas estimuladas, permitindo o estudo do comportamento e da cognição de maneira mais estruturada e precisa, explica Bicalho.

PROCEDIMENTO

Aplicações são bem variadas

A Estimulação Magnética Transcraniana (EMT) vem sendo utilizada para diversos tratamentos neurológicos com a vantagem de não apresentar efeitos colaterais, explica a professora e pesquisadora da UFMG Maria Aparecida Bicalho.
Além disso, a especialista ressalta que observou-se nos últimos anos a multiplicação de centros médicos e de pesquisa em EMT nos mais respeitados centros universitários ao redor do mundo.

A técnica está aprovada para uso clínico em diversos países, como Estados Unidos, Canadá, Austrália e Israel.

No Brasil, ela já é usada para controlar tremores de pacientes com doença de Parkinson, e estudos indicam que o tratamento também pode ajudar pessoas com epilepsia, transtornos alimentares como anorexia, Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) e depressão.
Além disso, um estudo do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo já mostrou pesquisas na área com pacientes viciados em cocaína. (TM)

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Fonte: site do jornal O Tempo por Thuany Motta.

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