Talento de pessoas com deficiência em exposição

As pinturas e peças de cerâmica da mostra que está a decorrer na Broadway Macau, da autoria dos utentes da Sociedade Fu Hong que sofrem de autismo, síndrome de Down e outras doenças de foro intelectual, podem surpreender pela qualidade técnica, observam os responsáveis pela organização.

A perfeição dos detalhes dos bólides desenhados em papelinhos, amassados e deitados ao chão chamou a atenção dos funcionários de um dos centros de dia da Associação de Reabilitação Fu Hong de Macau. Foram precisos vários dias até que um deles encontrasse um dos pacientes, um homem autista, a desenhar num papelinho mais um carro com uma perfeição assustadora. O autor é apenas um dos muitos artistas representados na Exposição de Arte com Deficientes “Arts Fly” 2016, a decorrer na Broadway Macau até 28 de Junho.

“Descobrimos esse verdadeiro artista por acaso. É autista e tem uma habilidade extraordinária”, lembra Fátima Santos Ferreira, presidente da Associação de Reabilitação Fu Hong de Macau, contando a história de “0.38”, nome artístico com que é conhecido Leong Ieng Wai, o prodigioso artista que faz questão de só desenhar com canetas com espessura de 0,38 milímetros. Foi a observação do talento escondido não apenas desse como de outros utentes dos três centros de dia da associação – que actualmente conta com três instalações (um para doentes ligeiros, outro, para doentes mais profundos, e ainda um para a recuperação de pessoas diagnosticadas com desequilíbrios mentais) – que fez nascer a ideia da exposição, inaugurada na sexta-feira, num espaço cedido pela grupo Galaxy Entertainment na Broadway Macau.

São 100 pinturas e 50 peças de cerâmica criadas por pessoas com doenças intelectuais, autismo, síndrome de Down ou em reabilitação de outros males do foro mental. A ideia é promover a inclusão e “mostrar que as pessoas que sofrem de doenças mentais também são capazes”, segundo Fátima Ferreira. “Muitos deles têm um talento notável. Só acredita quem vê”, considera a responsável, convidando o público a visitar a mostra.

Desde 2007 que a Associação Fu Hong vem proporcionando aos seus utentes um curso para desenvolver os seus talentos, potenciando os efeitos terapêuticos da expressão artística e permitindo aos deficientes darem asas à sua criatividade em domínios como a dança, o teatro, as belas artes, a música ou a poesia.

Mais iniciativas como esta, considera a dirigente, fazem falta em Macau: “Acho que o Governo fala muito da promoção dos talentos, mas esquece-se dos talentos das pessoas com deficiência”, disse ao PONTO FINAL.

Fonte: site Ponto Final.

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