Promotoria investiga a falta de acessibilidade no Move

Descrição da imagem: mãe com seu filho cadeirante aguardando alguém ajudar a subir uma escada para ter acesso ao MOVE.A Promotoria da Pessoa com Deficiência do Ministério Público Estadual (MPE-MG) investiga a denúncia de falta de acessibilidade nos terminais de transferência das estações do Move em Belo Horizonte. 

A iniciativa foi tomada depois que usuários encaminharam ao órgão queixas sobre elevadores e escadas rolantes com defeito e falta de piso adequado para facilitar a locomoção. O Ministério Público não revelou a quantidade de denúncias recebidas, informou apenas que os números “são expressivos”.

A reportagem do Hoje em Dia visitou as estações e comprovou a insatisfação dos passageiros que têm mobilidade reduzida. Quem utiliza o terminal São Gabriel (Nordeste de BH) não encontra elevadores em funcionamento para transitar entre as plataformas. A única opção é a escada.

O aposentado Adão da Cunha Pereira, de 70 anos, perdeu as contas de quantas vezes se desequilibrou na escadaria. “Tenho um problema grave de locomoção e não consigo andar rápido. Acabo me desequilibrando com o vai e vem dos passageiros”, contou.

O piso tátil é outra reclamação. No São Gabriel, a sinalização orienta os deficientes visuais para as grades de proteção e para a lateral de uma escada rolante. “Se não tiver ajuda acabo batendo na parede. O piso não leva nada a lugar algum”, disse o secretário Maurício da Silva Camargo, de 37 anos.

No terminal Pampulha, na região que leva o mesmo nome, nem as escadas rolantes nem os elevadores funcionam regularmente. “É raro o dia que todos os equipamentos estão funcionando direito. Tenho medo de usar a escadaria em horário de pico, porque o risco de queda é grande”, disse o auxiliar administrativo Estevão Castilho Santos, de 56 anos.

Segundo ele, que tem uma deficiência na perna, pelo menos duas vezes ao mês os equipamentos apresentam problemas.

Para a educadora Márcia de Almeida Santos, de 42 anos, a inexistência de funcionários que auxiliem na locomoção prejudica o acesso aos terminais. “O piso tátil nos orienta, mas não é suficiente. É preciso funcionários qualificados e capacitados para nos ajudar, assim como já existe no metrô”.

Constrangimento

Nos terminais das avenidas Paraná e Santos Dumont, no Centro, as escadas são obstáculos para os usuários. “A rampa fica longe e somos obrigados a fazer um longo percurso de cadeira de rodas para ter acesso à plataforma”, disse o aposentado Leonardo Antônio da Costa, de 72 anos.

A funcionária pública Sandra Emília, de 55 anos, sobe com dificuldade cada degrau da estação Carijós, na avenida Paraná. “O problema é que impedimos outras pessoas de passar e isso causa constrangimento e desconforto”.

Em nota, a BHTrans, responsável pelo gerenciamento de transporte e trânsito na capital, informou que a escada rolante da estação Pampulha está sendo consertada, mas não há previsão para o fim das obras. Já na São Gabriel, o órgão disse que não há registro de reclamações sobre escada rolante e elevadores. A BHTrans informou que, em todos os terminais, o usuário pode acionar a ajuda dos funcionários.

Câmara vai cobrar segurança nas estações

Na tentativa de pressionar a prefeitura a melhorar a acessibilidade nas estações do Move, será entregue à Comissão de Desenvolvimento e Transporte da Câmara Municipal de Belo Horizonte um requerimento para a realização de uma audiência pública sobre o tema.

O objetivo é cobrar medidas de segurança para os usuários que têm mobilidade reduzida. “Além dos equipamentos que funcionam de forma precária, há acidentes no Move envolvendo pessoas com deficiência ou idosos”, explicou o autor do documento, vereador Leonardo Mattos, que também é portador de deficiência.

A distância entre as plataformas de embarque e desembarque dos ônibus, a ineficiência do piso tátil e até mesmo o lugar restrito nos veículos para os cadeirantes são alguns dos questionamentos do parlamentar. “Temos relatos de pessoas que se machucaram devido ao despreparo dos agentes”, enfatizou.

Número de passageiros 

Por dia útil, cerca de 207 mil passageiros circulam pelas estações de integração do Move na cidade, conforme dados da Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans).

No terminal São Gabriel, passam 40 mil pessoas. Já na Pampulha, 117 mil. 

Fonte: site do Jornal Hoje em Dia por Gabriela Sales.

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