Projeto terá audiolivros e obras em Braille na praia

A bibliotecária Gláucia Maindra da Silva, gerente de Fomento e Incentivo à Cultura, da Secretaria de Turismo, Esporte e Cultura de Imbituba, participou do evento da Rede Nacional de Leitura Inclusiva, projeto da Fundação Dorina Nowill promovido pela Fundação Dorina Nowill. Uma possibilidade de pensar ações, diz ela. Uma dessas práticas acontecerá na quarta-feira, quando será desenvolvido o projeto Inclusão sem Fronteiras.

A proposta é nacional e promete mobilização nas redes sociais e imprensa chamando a atenção para práticas inclusivas em diferentes regiões do país. A data foi escolhida em virtude da lei nº. 13.146, de 6 de julho de 2015, que institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência).

Em Imbituba, a estrela será a Tenda Literária, que nos meses de verão ocupa as praias oferecendo espaço para a leitura. Todo o acervo disponibilizado também está em braille, fonte ampliada, audiolivro ou livro falado. Isso faz com que o leitor sem deficiência visual comece a pensar nas pessoas que precisam dessa forma de leitura.

– Há uma curiosidade em sentir os livros, em compreender como os cegos leem e em como compreendem aqueles pontinhos no papel. Mas o que mais desejamos é conhecer nosso leitor cego em Imbituba, sabemos que ele existe e queremos conhecê-lo – explica Gláucia.

Os turistas reagem muito bem e chegam a sugerir que o projeto se expanda para outros pontos do litoral brasileiro. O contato entre a Secretaria de Cultura e a Fundação Dorina iniciou-se quando a biblioteca passou a receber o acervo em braille e com audiolivro. Desde 2014 a Biblioteca Pública Municipal Cônego Itamar Luiz da Costa participa dos encontros da Rede Leitura Inclusiva Grupo de Trabalho Santa Catarina.

– Em outubro de 2015 iniciamos os encontros do GT Imbituba, ainda tímido, mas com potencial para fortalecer a rede de Leitura Inclusiva no município – diz a bibliotecária.

Apesar dos avanços, ainda há desafios. A psicóloga Ana Paula Silva, coordenadora do projeto na Fundação Dorina Nowill, acredita que não basta apenas produzir e distribuir livros acessíveis. O profissional precisa estar capacitado para oferecer o material e orientar as pessoas com deficiência visual. Primeiro, explica, há a necessidade de qualificar o facilitador para em seguida montar a rede de articulação com pessoas e organizações interessadas em promover a leitura inclusiva.

Uma das dificuldades é que a própria pessoa com deficiência desconhece o direito. Em 2012, a Fundação Dorina fez uma pesquisa no país sobre os hábitos de leitura da pessoa com deficiência visual. Foi identificado que o profissional dos serviços trata a relação entre o livro e o deficiente de maneira quase inexistente.

– A pessoa com deficiência parece encontrar a oferta de livros como um presente, um favor e não um direito – observa Ana Paula.

– Muitas vezes ele trabalha com leitura, porém, desconhece acerca da leitura inclusiva.

MEC oferece dicionário trilíngue em libras–português e inglês nas escolas 

Brasil aumentou em cinco vezes o número de matrículas de pessoas com deficiência em classes comuns da educação básica e em seis vezes e meia na educação superior desde 2003. Naquele ano, o governo instituiu as primeiras políticas públicas estruturantes na perspectiva de inclusão escolar.

Os números foram apresentados por Martinha Clarete Dutra dos Santos, diretora de políticas de educação especial do Ministério da Educação (MEC). A diretora trouxe dados do Censo da Educação Básica 2015, mostrando que 751 mil pessoas com deficiência física, intelectual ou sensorial tiveram assegurado o direito de frequentar escolas da rede regular no país, cerca de 13%.

Considerando somente a rede de educação básica pública, o percentual de inclusão na educação básica é ainda maior, chegando a 93%. Na formação superior, o Brasil saiu de 5 mil matrículas para, em 2014, atingir 33,4 mil alunos com deficiência em cursos de graduação.

Isso fez com que o acervo do material didático tenha sido incrementado com 114 títulos em braille e 523 em formato digital acessível. Essa iniciativa beneficiou mais de 6 mil estudantes cegos em escolas de educação básica. Para 24,3 mil estudantes surdos, foram comprados 13 títulos em libras–língua portuguesa, além de 11 mil exemplares de dicionário trilíngue (libras–português e inglês).

Fonte: site  Por Ângela Bastos com foto de Cristiano Estrela / Agencia RBS.

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