Projeto de comunicação alternativa pretende transformar a vida de estudantes autistas

Um projeto de comunicação alternativa e suplementar voltado para o aprendizado de alunos autista vai transformar a vida de 20 estudantes do ensino fundamental de 12 escolas municipais do Recife. A iniciativa, que é fruto de uma parceria da Secretaria de Educação do Recife com o Instituto Aggeu Magalhães (IAM)/Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), pretende implementar estratégias para o desenvolvimento da comunicação dos alunos e a maior inclusão escolar e social através de dispositivos de comunicação alternativa – ramo da Tecnologia Assistiva que usa dispositivos e técnicas para viabilizar a comunicação de pessoas sem fala nem escrita funcional, entre eles os autistas. As ferramentas de comunicação alternativa incluem sistemas computadorizados, símbolos pictográficos e tabuleiros de figuras.

Antes do método de comunicação facilitada começar a ser utilizado com os estudantes, 20 professores da rede participaram de um curso de formação de 60 horas de aulas teóricas, além de encontros para análise das práticas, com a supervisão do IAM/Fiocruz. A capacitação segue os padrões do Instituto de Comunicação e Inclusão (ICI) da Universidade de Syracuse (EUA), referência mundial no ensino da matéria. Os participantes do curso já começaram a replicar o conhecimento para outros profissionais das escolas em que trabalham. Também estão sendo realizadas visitas em algumas escolas para sensibilização de gestores, pais de alunos, professores e acompanhantes dos estudantes autistas.

De acordo com o coordenador do projeto, Carlos Lucena de Aguiar, da Fiocruz, são utilizados como materiais didáticos cartões com fotos, desenhos e letras, tablets e teclados de computador, além de vários tipos de apoio físico, comunicativo e emocional. “Nos casos de autismo moderado ou severo, a pessoa praticamente não consegue se expressar por meio da fala, e essa comunicação alternativa incentiva o uso das mãos e, principalmente, dos dedos para apontar figuras, desenhos e letras em cartões, além de incentivar a produção de textos”, ressalta.

Sobre as estratégias de apoio, ele explica que, no caso do apoio físico, o estímulo se dá através do toque do professor ou outro profissional nos braços e nas mãos do aluno, enquanto no apoio comunicativo, a ideia é dizer o nome do símbolo para o qual apontaram. “Um dos apoios mais importantes é o emocional, que inclui o elogio ao esforço do aluno para ele se sentir motivado para progredir ainda mais”, acrescenta Carlos Lucena. Ele explica que, à medida que o aluno avança e adquire mais autonomia, esses apoios precisam diminuir até serem retirados.

Para Sônia Carvalho, técnica pedagógica da Divisão de Educação Especial da Secretaria de Educação do Recife, a parceria com a Fiocruz é muito importante para os estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA). “A ideia é ampliar cada vez mais o número de alunos e escolas participantes”.

Os 20 estudantes participantes do projeto de comunicação facilitada, assim como os outros 425 alunos com autismo matriculados nas diversas unidades de ensino municipais (totalizando 445 estudantes autistas), têm aula nas salas regulares, junto com os demais alunos. No contraturno, desenvolvem trabalhos direcionados com 265 professores do Atendimento Educacional Especializado (AEE), que são especialistas em Educação Especial, nas salas de recursos multifuncionais, que são espaços com equipamentos pedagógicos específicos para o desenvolvimento desses estudantes.

A professora do AEE, Luciana Lopes Peres, atende seis alunos autistas, dos 6 aos 13 anos, na sala de recursos multifuncionais da Escola Municipal Severina Lira, na Tamarineira. Ela conta que uma das melhores coisas que aconteceu na sua vida profissional foi participar, no ano passado, do curso de Comunicação Facilitada para alunos Autistas. “Eu já tinha participado de outras formações na área de educação, mas essa foi muito especial, pois mudou nossa perspectiva em relação ao estudante com autismo”, revelou a docente.

Tayane Sousa, Agente de Apoio ao Desenvolvimento Escolar Especial (AADEE) da Escola Municipal Severina Lira, é acompanhante de um estudante de 8 anos de idade que tem autismo severo. “Com esse novo método, o progresso de Pedro tem sido constante e isso me deixa muito feliz. Estamos progredindo juntos”, revela.

TABLETS

Em 2016, a Prefeitura do Recife entregou 500 tablets com o software Livox, que facilita a comunicação de alunos com autismo e paralisia cerebral que tenham comprometimento da fala. Foram distribuídos 260 equipamentos para estudantes da rede que puderam levar os tablets para casa, para que o equipamento facilite a comunicação deles com os familiares, professores e demais alunos, e outros 240 tablets com Livox foram entregues para as escolas que têm salas de recursos multifuncionais.

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Fonte: site Diário do Pernambuco – Foto: Inaldo Lins/PCR/Divulgação.

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