Porta-voz de mulheres com deficiência em MS tem apenas 18 anos

O timbre de voz dela dá indícios de que se trata de uma menina, mas a forma com que articula as palavras demonstra a maturidade de mulher. Assim é Sarah Santos, a estudante de jornalismo que aos 18 anos é considerada a delegada mais jovem da Comissão de Mulheres deficientes do Brasil.

A história dela como defensora da causa começou em março do ano passado, quando ela passou a frequentar as reuniões da Comissão de Mulheres com Deficiência de Campo Grande e  despertou para os direitos que elas têm, mas não são cumpridos. 

Dentre os relatos que ela ouviu, o de mulheres maltratadas durante atendimentos médicos por falta de uma maca acessível ou mesmo pela ausência de intérprete de Libras, a língua brasileira de sinais, para as deficientes auditivas, por exemplo.

“Tem muita coisa deixando a desejar. Os prédios públicos não são acessíveis e acham que acessibilidade é só rampa, corrimão e elevador, mas é muito mais que isso. É uma questão de não tratar com preconceito, como se estivessem fazendo um favor”, analisa Sarah. “Conviver com essas mulheres me fez ter um amadurecimento e uma causa pela qual lutar”. 

O COMBATE

Consciente de que nasceu para combater as desigualdades, Sarah afirma estar plenamente feliz com a possibilidade de ajudar a transformar a realidade de outras mulheres. É por esse motivo que entre os dias 1º e 3 deste mês, ela participou, como representante de Mato Grosso do Sul, de debates e palestras das Consultas Nacionais das Mulheres com Deficiência, das Ciganas e das Indígenas em Brasília.

“Isso me fez ter certeza de que é isso que quero para minha vida. Ser uma militante da causa da pessoa com deficiência até morrer. Quero de fato dedicar minha vida a isso”. 

Dentre as pautas que defende, a da sexualidade da mulher com deficiência física. “Eu gostaria de uma sociedade um pouco menos machista no campo dos relacionamentos”, declara.

Segundo Sarah, a mulher com deficiência é vista como assexuada, “aprisionada que não tem desejos, que não tem sexualidade ou ela é aquela mulher que serve, como o depoimento de outras mulheres que já ouvi, só para o sexo, mas que o homem nunca vai apresentar para a família, nunca vai tratar como namorada porque ela tem uma deficiência e, talvez, isso seja vergonhoso em um mundo que busca perfeição”. 

A educação inclusiva é outra preocupação. “Sonho com o mundo que não fechasse a porta da escola ou do mercado de trabalho para a menina com deficiência. Que desse oportunidade para ela ser quem ela quiser”, finaliza.

Fonte: site Correio do Estado.

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