Policiais militares voltam às aulas para aprender Libras em Taubaté

Na tentativa de atender ocorrências e prestar auxílio com informações aos surdos, um grupo de 25 policiais militares de Taubaté voltou às salas de aula para aprender a Língua Brasileira de Sinais (Libras). 

O curso teve início há quatro semanas e terá duração de quatro meses. Ele é aplicado dentro do 5º Batalhão de Polícia Militar do Interior, uma vez na semana, durante duas horas. Segundo o capitão Marcos Antônio de Oliveira, a ideia surgiu após policiais militares apresentarem dificuldades na comunicação com os surdos e, por iniciativa de um vereador de Taubaté, que apresentou a professora de libras da Escola Legislativa da Câmara.

Foto de policiais fazendo o sinal de seu nome.

“Os policiais tinham dificuldades em atender essas demandas [ocorrências com surdos], principalmente na comunicação de modo geral. A ideia é que o conhecimento seja repassado aos outros policiais. Se tivermos retorno positivo, pretendemos estabelecer um convênio para continuar com outras turmas”, disse o capitão.

Os policiais fazem parte de diversos tipos de agrupamento da polícia: são das áreas de Comunicação Social, Rádio Patrulhamento, Administração, Comando de Força, Policiamento de rua, Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd) e outros.

Há 29 anos na corporação, a cabo Mara Lígia de Moura, 49 anos, realiza atividades nas escolas de Taubaté, por meio do Proerd. Ela disse que apesar de não ter tido problemas durante patrulhamento nas ruas, já teve dificuldade em se comunicar com uma criança surda.

“Esse curso vai nos ajudar a comunicar e auxiliar as pessoas. Durante trabalho de prevenção em uma escola, tive dificuldade em comunicar com uma criança e tivemos que buscar alternativas para dar continuidade. Estou me dedicando, fazendo as tarefas de casa e exercitando com amigos para não esquecer”, disse.

Números
De acordo com levantamento realizado pela Prefeitura de Taubaté, com base no censo de 2010, 24% da população de 278.686 mil habitantes declarou ter algum tipo de deficiência. Entre as deficiências declaradas, 4% foram intelectuais, 14% foram motoras, 18% foram auditivas e 64% visuais.

A professora, que oferece o curso voluntariamente, disse que recentemente um aluno surdo se assustou com um policial militar e saiu correndo. “Os alunos surdos dizem ter medo da polícia porque eles não entendem e não sabem se comunicar. Um aluno foi abordado na porta da escola e entrou desesperado, com medo. A primeira opção é correr, o que pode ser um risco. Mas as aulas têm ‘fluido’ legal, eles [policiais] estão fazendo as tarefas de casa ‘direitinho’ e na próxima semana vou aplicar uma prova”, disse.

Além do teste, os policiais vão participar de uma aula prática com surdos na próxima semana.

Fonte: site G1.com Vale do Paraíba e Região.

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