Pimenta contra o Alzheimer

Descrição da imagem: foto de alguns tipos de pimenta em 4 vasilhas.Uma potencial esperança para a redução dos efeitos da doença de Alzheimer pode estar em ingredientes mais do que comuns à mesa do brasileiro: pimenta-rosa e pimenta-do-reino. A descoberta é resultado de pesquisa feita pela bióloga Fúvia de Oliveira Biazotto para dissertação de mestrado em ciência e tecnologia de alimentos, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP), concluída mês passado. Durante o trabalho, Fúvia constatou duas importantes propriedades nos extratos elaborados com as pimentas: o poder de inibir a enzima acetilcolinesterase e um fator antioxidante.

“A inibição da enzima acetilcolinesterase é hoje o que faz parte do tratamento da doença de Alzheimer. Os medicamentos existentes se baseiam nisso”, explica Fúvia. Isso porque essa enzima degrada a acetilcolina, neurotransmissor envolvido na retenção da memória e aprendizagem. “Então, tentamos buscar compostos que fossem capazes de inibi-la. Sobre a pimenta-do-reino preta já havia alguns estudos, mas sobre as outras – pimentas-do-reino branca e verde e a pimenta-rosa – ainda não tinha visto nada. Então, a ideia foi estudar esses três tipos de pimenta-do-reino, e a pimenta-rosa foi incluída pela semelhança. E foi justamente a pimenta-rosa que apresentou os melhores resultados”, afirma.

A pesquisa foi baseada em extratos feitos a partir do grão de cada uma das pimentas e o inibidor da enzima acetilcolinesterase foi encontrado em todas elas, com maior propriedade na seguinte ordem: pimenta-rosa, pimenta-do-reino preta, pimenta-do-reino verde e pimenta-do-reino branca. “Não posso dizer ainda que incluir essas pimentas na dieta vai curar a doença, mas há, sim, um potencial para isso”, garante.

A outra parte da pesquisa ficou concentrada na prevenção. “Ainda não se sabe a origem da doença de Alzheimer, mas uma das hipóteses é de que seria ocasionada por danos oxidativos. Pelo que se sabe, no processo tóxico da doença geram-se radicais livres e eles poderiam ser combatidos por antioxidantes”, diz Fúvia. E a atividade antioxidante também foi constatada nas pimentas, com maior potencial quase na mesma ordem da descoberta do fator inibidor: pimenta-rosa, pimenta-do-reino verde, pimenta-do-reino preta e pimenta-do-reino branca.

O objetivo de Fúvia, agora, é ingressar no doutorado, dando continuidade ao trabalho e incluindo testes em humanos, que possam comprovar os efeitos percebidos durante a pesquisa. “Se Deus quiser, em uns quatro anos teremos novidades”, observa.

BEM-VINDA Apesar de não ter acesso à pesquisa de Fúvia, o neurologista e professor Paulo Caramelli, da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), integrante do Conselho Científico do Departamento de Neurologia da Associação Médica de Minas Gerais, afirma que a busca por mais tratamento que combata a doença de Alzheimer é extremamente bem-vinda. “Há cerca de 10 anos que o cenário não muda em relação ao número de medicamentos aprovados, a despeito de muitas pesquisas realizadas no período, que não resultaram em nenhuma nova medicação. Nada nesse período foi eficaz, apesar de um número de pesquisas cada vez maior. Logo, tudo que vier é muito bem-vindo”, afirma.

Ele confirma que a inibição da enzima acetilcolinesterase é a base dos medicamentos até hoje usados e lembra que uma nova medicação, que possa trazer melhores resultados e, sobretudo, sem efeitos colaterais, seria muito importante. No entanto, exatamente pelo fato de a medicação usada hoje já atuar em cima da inibição dessa enzima, ele acrescenta que seria interessante a busca de outras estratégias, que resultassem em remédios receitados em conjunto com os já existentes, cada um atuando num aspecto da doença. “Mas não estou minimizando os efeitos da pesquisa. Embora já existam drogas atuando no mesmo aspecto, nada impede que venham medicamentos melhores. Aliás, tenho muita simpatia por estudos que avaliam compostos naturais da flora brasileira. Acho sempre interessantes as pesquisas nessa linha”, ressalta.

Fonte: site do Jornal Estado de Minas por Paula Carolina.

Este artigo foi publicado na categoria Doenças e marcado em . Favorite o link deste post.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*
*
Website