Para cursar Agronomia, deficiente auditivo cria novos sinais

Descrição da imagem: jovem que é deficiente auditivo fazendo um sinal, ele está com uma camisa branca e listras escuras. Atrás dele tem uma parede pintada de verde.Superação é uma das palavras que podem ser utilizadas para definir a conquista do estudante de Agronomia, Leonan Miguel. Morador de Colatina, no Noroeste do Espírito Santo, o jovem conseguiu driblar as dificuldades e marcou a história do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) do município por ser o primeiro deficiente auditivo a estudar no campus. E essa não foi a única façanha protagonizada por ele. Para poder acompanhar os colegas de classe, Leonan criou uma série de novos sinais que são utilizados para substituir termos técnicos da profissão, que ainda não possuem tradução para Língua Brasileira de Sinais (Libras). Nesta sexta-feira (26), Dia Nacional do Deficiente Auditivo, o jovem comemora as conquistas e sonha com o futuro.

Por meio de um intérprete, o jovem contou que perdeu a audição quando tinha um ano e oito meses de idade, mas que isso não foi impedimento para que ele deixasse de sonhar e superar os limites. Ele aprendeu a se comunicar utilizando gestos, passou no vestibular e, atualmente, é um dos alunos que integram o curso de Agronomia da instituição. De acordo com a mãe de Leonan, Silvana Dueles, os estudos não terminam quando ele vai para casa. “Depois que sai do Ifes, ele vai para a internet e procura videoaulas em Libras com os temas que ele sentiu dificuldade”, contou.

Durante as aulas, o estudante conta com a ajuda de um tradutor que o ajuda a entender os assuntos que são abordados dentro de sala. Segundo ele, a colaboração desse profissional e dos colegas é fundamental para o resultado que alcança. “Tenho muitas dificuldades, mas eu tenho alguns amigos que me ajudam na disciplina de cálculo e nas demais disciplinas. E isso ajuda muito no meu aprendizado”, expressou Leonan, por meio da linguagem de sinais.

A professora Elizabeth Martins, que tem mais de 30 anos de experiência na área da educação, explicou que parte da rotina precisou ser alterada para melhor atender a Leonan. Uma dessas modificações aconteceu na maneira de ministrar as aulas. “Temos que falar mais devagar. Nós temos que dar uma pausa na nossa fala até para dar um tempo para o tradutor poder nos acompanhar”, disse.

Já a pedagoga Delnice Salvador relatou que a chegada do jovem contribuiu para que a unidade de ensino pudesse se adequar e promover a inclusão. “Está sendo uma experiência inédita para nós, mas aos poucos vamos nos adaptando e apreendendo também junto com o Leonan”, declarou.

Apesar de não ser uma disciplina que faz parte do curso de Agronomia do Ifes, a Libras já está sendo adotada por outros estudantes e superando o limite da sala de aula. Atualmente, além da professora, outros servidores do instituto também começaram a utilizar os gestos para se comunicar. “A importância de ter a Língua Brasileira de Sinais é que a turma vai poder interagir e se comunicar com ele”, disse o professor de Libras, Vagner Neves.

Há pouco tempo estudando no Ifes, Leonan ainda tem uma longa jornada pela frente. Nós próximos quatro anos ele vai se dedicar aos estudos, aos livros e as aulas para se formar como agrônomo. E, para o jovem, essa não será uma conquista apenas dele, mas de todos as pessoas que possuem esse tipo de deficiência no país. “A gente sabe que existem muitos deficientes que tem profissionalidades iguais. Por exemplo, no Brasil a gente não tem na área médica ou nesses tipos de áreas. Então eu quero fazer um curso diferente para mostrar a diferença nisso”, concluiu, com a ajuda do intérprete.

Fonte: site G1.com ES, com informações da TV Gazeta * 

* Com colaboração de Alessandro Bacheti, da TV Gazeta

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