Pacientes estão sendo encorajados a dizer ‘não’ à diálise

Ilustração de uma pessoa passando por uma sessão de Diálise.Gerald J. Hladik tinha 74 anos de idade quando o dia tão esperado por seus médicos finalmente chegou: seus rins, danificados anos antes por uma infecção viral, tinham perdido 85% da capacidade. Era hora de começar a diálise.

Mas desde o começo Hladik resistiu. Aposentado da IBM, ele adorava pescar, andar de barco e cuidar do jardim – mas odiava hospitais. “Ele disse que não queria passar o tempo que lhe restava fazendo aquilo. Ele queria estar em casa com o cachorro. Queria poder passear na praia”, relembra seu filho, o Dr. Gerald A. Hladik.

Nefrologista da Faculdade de Medicina da Universidade da Carolina do Norte, Gerald Hladik entendia melhor que ninguém que a hemodiálise podia consumir todo o dia dos pacientes. O histórico médico cheio de altos e baixos do seu pai incluía um AVC muito sério e uma ponte de safena. “A diálise teria prolongado a vida dele, mas imagino que só por alguns meses”, afirmou o filho.

Então, depois de uma discussão considerável, Hladik pai decidiu que não iria fazer as três viagens por semana ao centro renal, nem iria encarar a fadiga e as restrições alimentares e de locomoção. Os médicos controlavam o problema cardíaco e a hipertensão com a ajuda de medicamentos. Ele morreu em sua casa no mês de novembro, um ano e meio depois de dizer não à diálise.

Pessoas com mais de 75 anos são o segmento que mais cresce entre os pacientes que fazem diálise, e os benefícios e desvantagens do tratamento são bastante diferentes do enfrentados pelos pacientes mais jovens. Um número crescente de nefrologistas e pesquisadores incentiva uma tomada de decisão mais consciente e deliberativa quando os idosos contemplam a possibilidade da hemodiálise.

Trata-se de uma escolha, afirmam. Não de uma obrigação. “Os pacientes não são corretamente informados acerca de todas as dificuldades. Tudo o que dizem para eles é que as opções são fazer a diálise ou morrer. Ninguém fala que a pessoa pode viver até dois anos sem o tratamento, sem sentir qualquer desconforto e com muito mais independência”, diz o Dr. Alvin H. Moss, nefrologista da Faculdade de Medicina da Universidade da Virgínia Ocidental, além de diretor da Coalisão pelo Apoio aos Pacientes com Problemas Renais.

O processo da hemodiálise consiste em filtrar as impurezas do sangue quando os rins doentes já não são mais capazes de fazê-lo. Originalmente, o tratamento consistia em um estágio intermediário para aqueles que esperavam por um transplante, mas agora se tornou o tratamento padrão para casos de falência renal avançada.

Dia a dia

Os pacientes em diálise são internados com frequência. Quando vivem em asilos, sua independência – no que diz respeito à capacidade de comer, se vestir, usar o banheiro e fazer outras atividades do dia a dia – diminui drasticamente. Nessa população fragilizada, um estudo revelou que 58% dos pacientes morria em menos de um ano após o início da diálise.

Fonte: site do Jornal O Tempo por Paula Span do The New York Times.

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