O sol nasce para todos: o mercado de trabalho para deficientes

Descrição da imagem: Morgana que é deficiente visual e trabalha há quatro anos no setor de Recursos Humanos.Morgana Pereira da Costa tem 27 anos, é deficiente visual e trabalha há quatro no atendimento do Departamento de Recursos Humanos da Universidade de Santa Cruz do Sul, recepcionando, entre outros, a deficientes físicos. A jovem tem glaucoma congênito, um problema genético – seus irmãos também o têm – e por isso não enxerga com o olho esquerdo.

Taquariense, veio para Santa Cruz há cinco anos para estudar biologia e sentiu o desejo de ser funcionária da Unisc. Resolvida, levou um currículo ao RH da Universidade. Foi então que descobriu que poderia ser selecionada para trabalhar através do Banco Pertencer, um programa da que promove a contratação, o acolhimento e o desenvolvimento de pessoas com deficiências.

Essa foi uma surpresa. Primeiro, porque ela, assim como muitas pessoas, não sabia da existência do programa; segundo porque apesar de ter a visão em apenas um dos olhos, seu problema não é muito aparente e ela própria nunca teve grandes problemas com relação a sua condição, inclusive já havia trabalhado em sua cidade natal sem qualquer tipo de classificação.

A legislação diz que empresas com cem ou mais empregados devem preencher de 2% a 5% por cento dos seus cargos com beneficiários reabilitados ou pessoas portadoras de deficiência habilitadas. No entanto, apesar de a regra estar em vigor há mais de 15 anos, poucos a conhecem, ou então, não sabem qual a melhor forma de se adaptar às regras.
De acordo com o Presidente da Comissão Municipal do Emprego, Cesar Góes, em Santa Cruz do Sul, as empresas possuem a consciência e tentam oferecer as vagas, no entanto são diversas as barreiras e lacunas existentes. Ele relata que uma das principais dificuldades é chegar aos deficientes. Segundo ele, muitas vezes a vaga existe, mas não há um deficiente procurando por ela, ou não há um deficiente qualificado disponível. Isso está relacionado ao segundo grande problema que é a falta de cursos específicos para portadores.

Segundo ele, o ideal no momento, seria que o próprio empregador viabilizasse o treinamento para qualificar o funcionário especial. Como acontece na Unisc, o que torna o programa desenvolvido pela Universidade, inovador e exemplar para o resto do município.

No caso de Morgana, a oportunidade dada a ela, resultou em uma atividade cheia de importância. Isso, porque Morgana foi bem recebida, preparada para as atividades que exerceria, e o atendimento que recebeu há quatro anos, é o que ela desenvolve hoje, mas de uma forma especial. “Ter uma pessoa com deficiência no atendimento, torna mais fácil a conversa com quem está chegando”, explicou ela. Principalmente porque se ela não sofreu com a deficiência que tem, são muitas as pessoas que sofrem e são muitas as pessoas que receiam o mercado de trabalho.

Através de seu exemplo, ela se aproxima das pessoas, para mostrar que é importante acreditar em si próprio, mesmo que portador de deficiência. “Todos devem sentir que são capazes e devem buscar os seus direitos. Cada pessoa tem uma habilidade diferente e já existem empresas e instituições que sabem valorizar o esforço de cada um”, lembrou.

Ela destaca ainda, que o Banco Pertencer não existe com a finalidade de diferenciar deficientes de não deficientes, e que as PCD (pessoas com deficiência) não tiram a vaga de ninguém. Essa é apenas uma forma de facilitar a entrada no mercado de trabalho dentro da Universidade para aqueles que muitas vezes vem da rua com receios, insegurança e sensação de incapacidade. No entanto, ela afirma que o fato de existir um facilitador, não significa que não seja exigida a qualificação. “O PCD só fica se tiver competência”, alertou.

Para um futuro, talvez ainda um pouco distante, segundo Góes, a ideia é que se crie no município um Sistema de Informação, com uma base de dados e informações, parecida com a existente na Unisc, onde os currículos dos deficientes ficarão armazenados, para que possam ser encaminhados para as vagas que mais se adequem a eles. No entanto, ele faz um alerta. “A cultura também precisa ser mudada”. É preciso que todo o setor empresarial mude efetivamente seus pensamentos, e que todos compreendam que gastar um pouco em adaptações físicas – como construção de rampas – também é uma forma de investimento.

Banco Pertencer

O Banco Pertencer foi criado em 2008, e consiste em um programa que recebe currículos de pessoas com deficiência. De acordo com a Psicóloga da área de Desenvolvimento Humano do RH da Unisc, Deise Inês Marchi, inicialmente os currículos são recebidos com laudo de especialista e em seguida são passados para avaliação técnica do médico no trabalho. O passo seguinte é o agendamento de uma entrevista para conhecer o candidato e saber sobre seu contexto pessoal, profissional e deficiência. A partir de então, ele passa a fazer parte do Banco Pertencer, sendo encaminhado para as vagas, de acordo com os conhecimentos e as habilidades que possui.

Podem participar todos aqueles que possuem deficiência física (cadeirantes, ausência de membros, presença de membros sem funcionalidade, sequelas de poliomielite e meningite, dentre outras), auditiva, visual, intelectual ou deficiências múltiplas. Basta encaminhar currículo – com laudo médico que informe a deficiência – pessoalmente no Setor de Recursos Humanos, pelo e-mail recrutamento@unisc.br ou ainda via correio, aos cuidados do Setor de Recursos Humanos, para Avenida Independência, 2293, Santa Cruz do Sul, RS.

Deise lembra ainda que os processos de recrutamento e seleção foram aprimorados, desenvolvendo uma forma adequada de recrutar, entrevistar e selecionar uma pessoa com deficiência. Além disso, programa possui profissionais qualificados para orientar o candidato e seus familiares durante todo o processo seletivo.

A partir do Programa Pertencer, algumas ações foram desenvolvidas como o aprimoramento da estrutura física dos Campi (Sede, Venâncio Aires, Sobradinho, Capão da Canoa e Montenegro), a capacitação do público interno para o desenvolvimento de aspectos comportamentais e técnicos tais como o curso de Língua Brasileira de Sinais (Libras), que ocorrem na Instituição desde 2005. Além disso, criou-se um Manual de Convivência com as pessoas com deficiência, auxiliando na melhor maneira de lidar com as limitações sem haver o prejuízo social. Essas ações ampliaram o número de pessoas com algum tipo de deficiência contratadas na Instituição e criou um espaço onde esse público se identifica e se sente acolhido.

O que diz a legislação?

– Empresas com cem ou mais empregados devem preencher de 2% a 5% por cento dos seus cargos, com beneficiários reabilitados ou pessoas portadoras de deficiência habilitadas.
– Após a contratação, é necessária a adaptação do espaço físico, como rampas, acesso à empresa, adaptação das mesas e utensílios de trabalho, entre outros, bem como conscientização de todos os empregados acerca da importância da inclusão social do deficiente e da responsabilidade social da empresa.

Fonte: site do Rio Vale Jornal por Luana Ciecelski

One thought on “O sol nasce para todos: o mercado de trabalho para deficientes

  1. Muito bom saber que temos direitos a vagas especiais nas empresas e sermos respeitados pela nossa condição física.

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