Mais um pouquinho de um mito

Em uma sala de Imprensa está o nadador paralímpico Clodoaudo Fransciso. Ele está em sua cadeira de rodas com as mãos levantadas.“Sei que parece obsceno, mas vejo que chegou a hora de pendurar minha sunga.” O anúncio da aposentadoria parece não tirar o bom humor do nadador potiguar Clodoaldo Silva, dono de 13 medalhas paralímpicas, seis delas de ouro. Aos 36 anos, um dos maiores ídolos paralímpicos do país decidiu que vai encerrar a carreira depois da Rio’2016, sua quinta Paralimpíada.

“Meu objetivo é competir bem em 2016. É lá que quero finalizar uma carreira, que começou em 1996, como processo de reabilitação de paralisia cerebral”, lembra o potiguar, que esteve ontem em Belo Horizonte, em evento de um de seus patrocinadores.

Clodoaldo caiu na piscina por recomendação médica e, quatro anos depois, já ganhava suas primeiras medalhas paralímpicas: três pratas e um bronze, em Sydney’2000. Mas foi em 2004 que o potiguar se tornou uma espécie de embaixador do esporte paralímpico brasileiro. Ele subiu ao pódio sete vezes em Atenas, com seis ouros, dando visibilidade ao esporte, até então pouco conhecido. “A sociedade brasileira não sabia o que era o esporte paralímpico. Foi ali que passou a ver a pessoa com deficiência com olhar diferente, não apenas como coitadinhas. Fui o cara que abriu as portas, e hoje temos grandes atletas na natação, como Daniel Dias, André Brasil e tantos outros, em todas as modalidades”, lembra.

SACRIFÍCIO 
Como anfitrião, o Brasil espera fazer sua melhor campanha na história. Em Londres, a equipe ficou em sétimo lugar (43 pódios: 21 ouros, 14 pratas e oito bronzes), sua melhor colocação no ranking geral. O maior número de medalhas, no entanto, foi em 2008 (47: 16 ouros, 14 pratas e 17 bronzes). A natação, ao lado do atletismo, é o esporte mais vitorioso, puxada por André Dias, pupilo de Clodoaldo, maior medalhista da história, com 15.

O sonho do potiguar, claro, é subir ao pódio no Rio, depois de passar em branco em Londres’2012. Para isso, fez um sacrifício: trocou a Cidade Maravilhosa pela paulista São Caetano do Sul para treinar, ficando longe da filha, Anita, de 3 anos, responsável por demovê-lo da ideia da aposentadoria em 2012. Ele pensava em parar depois dos Jogos de Londres, mas a chance de competir diante da filha, em casa, o fez prolongar a carreira.

Por outro lado, Clodoaldo conta hoje com boa estrutura de treino no ABC Paulista, que o tem ajudado a recuperar os bons momentos. “Estou treinando com estrutura que nunca tive e os resultados começaram a aparecer. Fiz tempos que nunca fiz em treinos. Nos 100m e 200m, nadei melhor que em competição. Tudo isso me dá expectativa muito grande de fechar uma carreira de duas décadas no pódio.”

QUEM É ELE

Clodoaldo Francisco da Silva Correa
Nascimento: 1/2/1979, em Natal (RN)
Categoria: S4 (limitação físico-motoras)
Conquistas paralímpicas: três pratas e um bronze em Sydney’2000; seis ouros e uma prata em Atenas’2004; uma prata e um bronze em Pequim’2008.

Fonte: site do Jornal Estado de Minas por Renan Damasceno.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*
*
Website