Língua de Sinais traduzida em palavras

A comunicação entre deficientes auditivos e pessoas que ouvem perfeitamente pode ficar mais fácil com a ajuda da tecnologia. Sistema desenvolvido em território mineiro converte os gestos da Língua Brasileira de Sinais (Libras) em palavras na tela de um computador. A ideia pioneira ainda está em fase de testes, mas pode servir de base para a criação de aplicativos de tradução em tempo real.

Para fazer a codificação da Libras é preciso apenas de um bom computador e de um sensor de movimentos, como os que são usados em alguns jogos de videogame. A plataforma registra a “fala”, nesse caso baseada em gestos e movimentos, extrai as informações e decodifica em palavras.

“A ideia é registrar o sinal da Libras feito pela pessoa não falante e traduzi-la para a linguagem natural. Dessa forma, muitas pessoas que não conhecem essa linguagem poderiam comunicar-se com as pessoas surdas”, explica o cientista Edwin Jonathan Escobedo Cárdenas. Criador do sistema, ele é doutorando da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop).

Teste em tempo real

O projeto já foi testado com uma base de vídeos e cerca de 20 diferentes sinais da Libras. Para ser usado, no entanto, precisa passar por testes de “tradução” em tempo real e com um número maior de palavras. O objetivo agora, segundo Edwin, é ampliar o repertório e acrescentar, além de palavras, frases inteiras. “Mas os pontos essenciais para o funcionamento já foram desenvolvidos”, acrescenta o pesquisador.

A comunicação a partir do sistema é fácil. O usuário só precisaria fazer o sinal na frente da câmera, do sensor de movimento, e o sistema automaticamente faz a interpretação e apresenta os resultados na tela do computador.

O estudo está sendo desenvolvido há dois anos e meio no campus da Ufop e foi um dos 70 inventos selecionados para participar da Inova Minas, mostra inédita realizada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), no mês passado, em Belo Horizonte.

A Libras é reconhecida no Brasil como um meio legal de comunicação e expressão desde abril de 2002, após a publicação de uma lei específica sobre o tema.

Além disso

Em Belo Horizonte, uma iniciativa de inclusão social vem fazendo sucesso entre estudantes do ensino fundamental da rede pública graças à junção da ciência com tecnologia e criatividade. Por meio de um jogo de cartas que ensina palavras em Libras crianças com deficiência auditiva conseguem interagir com as demais em sala de aula.

O projeto foi desenvolvido na Universidade Estadual de Minas Gerais (Uemg), sob coordenação da pesquisadora Rita Engler. “Sempre pensamos que aprender sinais é muito fácil, mas oralizar uma criança surda é muito difícil. Então, surgiu a ideia do jogo, que é como um jogo do mico, de cartas baralhadas. É simples, agradável e extremamente inclusivo”, explica a professora do Centro de Estudos em Design e Tecnologia da Escola de Design da Uemg.

A ideia está sendo desenvolvida na Escola Municipal Júlia Paraíso, na capital, e recebeu patrocínio da Fapemig. O jogo é formado por 30 duplas de cartas, que mostram em um par o gesto que deve ser feito e em outro a tradução para a linguagem de sinais.

Fonte: site do Jornal Hoje em Dia por Patrícia Santos Dumont.

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