Jovem surda protesta em cinema de SC por falta de legendas em filmes

A estudante Danielle Kraus Machado, de 19 anos, queria assistir a um filme no cinema, mas acabou fazendo um protesto. Ela é surda e precisa de legendas, o que não encontrou nas sessões de duas animações exibidas nas salas de um shopping de São José, na Grande Florianópolis, no último domingo (24).

Nesta terça (26), o post que ela fez em uma rede social já havia sido compartilhado mais de 33 mil vezes. A repercussão do caso motivou a Comissão de Direito das Pessoas com Deficiência da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Santa Catarina a elaborar um ofício para cobrar acessibilidade em todos os cinemas do estado.

Conforme o órgão, a lei brasileira de inclusão prevê que a pessoa com deficiência tem direito a cultura em condições de igualdade.

Animações, só dubladas
Danielle foi ao shopping com o namorado, que não tem problemas de audição. “Muitas vezes nós queremos assistir a algum filme, mas precisamos desistir por não ter a opção de legenda. Ou se tem, é em um cinema muito longe”, disse ela ao G1.

“Ao descobrir que eles [cinema] não estavam cumprindo a lei, disponibilizando ‘Procurando Dory’ e ‘A era do gelo’ somente dublados, fui ao shopping. Mas antes, procurei o gerente, para ver se havia a possibilidade de o filme ser dublado com legendas”, contou a jovem.

“Como não havia essa opção, e por mais que o gerente dissesse que a culpa não era do cinema, também não queria fazer uma reposta escrita com essa declaração. Decidi tirar as fotos com os cartazes ali mesmo”, contou.

Ela levou cartazes com frases como “Este cinema não respeita surdos”, “Legenda para quem não ouve é lei!”, “Pessoas com deficiência existem! #cadê a legenda?” e “+ legenda – exclusão #SurdosExistem”.

Danielle tirou fotos com os cartazes e postou em uma rede social. “Falta muita conscientização. O povo muitas vezes nem nota que falta acessibilidade, até que precisem dela”, disse a estudante.

Repercussão
O impacto do protesto surpreendeu Danielle. “Jamais imaginei tanta repercussão. A intenção era só encontrar algumas pessoas que também possuem deficiência auditiva pra montar um grupo, e aí sim começar com manifestações maiores”, disse.

Além de continuar os protestos, caso os cinemas continuem sem as legendas, Danielle também pretende entrar na Justiça, “já que, infelizmente, algumas empresas só mudam quando o processo chega”.

Essa é apenas uma das muitas situações em que pessoas com deficiência encontram dificuldade, que alguns nem julgam importante. Porém, só quem convive com ou tem alguma deficiência sabe quantas coisas já nos são privadas mesmo sendo direito”, disse.

Rede diz aguardar norma
Em nota, a rede Cinépolis informou que “zela pelo cumprimento da legislação perante todas as esfera da administração pública”. Sobre o caso em questão, afirmou que “a norma relativa a critérios de acessibilidade visual e auditiva encontra-se em fase de consulta pública, aberta em 30.06.2016 e com encerramento previsto para 01.08.2016, conforme verifica-se pelo site da própria ANCINE – Agência Nacional do Cinema”.

A rede afirma ainda que “to logo encerre-se esta fase e haja a edição de norma específica regulamentando o tema, esta será acatada em seus termos por esta empresa, sempre oferecendo a todos os nossos clientes a melhor experiência de cinema”.

OAB vai enviar ofício
“A presidente da Comissão de Direito das Pessoas com Deficiência da OAB/SC, Ludmila Hanisch, afirmou que entrou em contato com Danielle. “Já estamos redigindo um ofício que será enviado a todos os cinemas do estado de Santa Catarina cobrando a acessibilidade prevista na legislação”, afirmou.

“É importante que essa acessibilidade seja cumprida, pois a falta de filmes com o idioma original e acompanhados de legenda torna as salas de cinema praticamente inacessíveis às pessoas com deficiência auditiva, que teriam a legenda como única opção”, disse a presidente da comissão.

Fonte: site G1.com SC por Joana Caldas – (Foto: Danielle Kraus Machado/Arquivo pessoal).

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