Inspiração para seguir a luta

Ver as conquistas e as superações a cada prova de uma edição das Paralimpíadas parece ter atingido as pessoas com deficiência que assistiram aos Jogos ao vivo ou pela televisão. Mais do que reconhecer nos outros as mesmas dificuldades, esse contato fez perceber que é possível chegar ao auge de uma participação esportiva.

Envolver-se com alguma das modalidades paralímpicas comprova que muitas deficiências podem ser superadas com programas personalizados, que aumentam a autoestima e propiciam uma vida que supera as barreiras e o preconceito.

“Mesmo de longe, pela televisão, senti uma grande emoção em ver os jogos do basquete em cadeira de rodas. Foi instantâneo pensar que um dia também quero estar ali, representando meu país. Seria muito legal estar lá e ser visto por minha mãe e familiares”, comenta Moisés Jorge, que pratica a modalidade na Associação Mineira de Reabilitação, em Belo Horizonte.

“É um sonho, mas é possível chegar lá. Será preciso muito esforço e dedicação, mas o desejo existe, e vou correr atrás dele”, indica.

Quem foi privilegiado por ter ido ao Rio de Janeiro viu de perto os maiores astros da modalidade e toda a estrutura que eles utilizam, que serve de espelho para quem quer chegar no mesmo lugar. Uma das maiores diferenças citadas pelos jovens foi em relação às cadeiras utilizadas pelos atletas, além dos materiais de última geração. “O contato, até então, era somente por vídeo. Estar lá foi uma experiência única. A injeção de ânimo foi grande. A diferença de material, por exemplo, ainda é imensa, mas a busca precisa ser constante. Vejo um grande futuro neles. Talvez não para 2020, mas para 2024. Eles têm muito a crescer”, destaca o treinador de bocha paralímpica do Projeto Superar Deylor Guedes.

Inspiração. Mesmo sem ter ido ao Rio de Janeiro, o jovem Lucas Fernandes, 13, teve um contato próximo com os Jogos. Antes do evento começar, ele treinou ao lado de Ruiter Silva, prata no revezamento 4×100 m da natação. As atividades aconteceram no Uberlândia Tênis Clube, na cidade do Triângulo Mineiro.

“Foram dias importantes na minha vida, que ficarão marcados para sempre. Treinar ao lado dele me fez crescer em muitos aspectos. Pude ver de perto o jeito que ele nada e ainda recebi muitas dicas, que já estão ajudando na minha evolução. Foi uma grande motivação treinar ao seu lado”, comenta o jovem, que não tem o movimento das pernas.

Lucas não quer saber do que pode aparecer em seu caminho no próximo ciclo olímpico e já pensa adiante. “Já estou me preparando para os Jogos de Tóquio, em 2020. Meus resultados já melhoraram bastante depois dos treinos com o Ruiter”, comemora.
Não muito longe
“O contato dos meninos com os atletas, até então, era somente por vídeo. Estar na Rio 2016 foi uma experiência única e uma motivação imensa. A injeção de ânimo foi grande. Talvez não para 2020, mas para 2024. Eles têm muito a crescer.”
Deylor Guedes
treinador de bocha paralímpica
Contato precioso
“Foi uma grande motivação treinar ao lado do Ruiter Silva, medalhista de prata na Rio 2016. Treinar ao lado dele me fez crescer em muitos aspectos. Pude ver de perto o jeito que ele nada e ainda recebi muitas dicas.”
Lucas Fernandes
paratleta do Uberlândia tênis clube
Ídolo impulsiona evolução
A mãe do jovem Lucas Fernandes, a dona de casa Maria Eni de Jesus, pôde perceber o ânimo do filho de 13 anos após o contato com o atleta paralímpico Ruiter Silva, medalhista de prata na Rio 2016 no revezamento 4×100 m da natação.

“Os tempos dele já são outros. Ele é muito dedicado, e essa determinação pode contar muito para os resultados dele no futuro. O Lucas foca muito o exemplo do Ruiter, quer chegar onde ele chegou. Ele pensa em fazer o seu melhor para ganhar a Bolsa Atleta”, projeta a mãe, que precisou abandonar o emprego em uma empresa para se dedicar ao filho. A renda da família passou a depender, exclusivamente, do pai, que sustenta a dupla e outro irmão.

“Fiz o que foi preciso. Ele precisava de apoio integral para fazer as atividades diariamente”, lembra Maria Eni, que tem papel fundamental na rotina do filho.

Há três anos fazendo natação no Uberlândia Tênis Clube, Lucas é motivo de orgulho para a mãe.
“Nunca imaginei que ele se tornaria um atleta. Ele entrou na natação por recomendação médica. Em um ano e meio, ele conseguiu muitos resultados, que já o credenciam para ser um atleta paralímpico. Fiquei surpresa e quero que ele vá mais longe ainda”, sugere a dona de casa.

Referência

AMR. A Associação Mineira de Reabilitação, em Belo Horizonte, foi criada por uma iniciativa do dr. Márcio de Lima Castro, em 1964. Especialista em Medicina de Reabilitação, ele percebeu a necessidade da criação de um espaço especializado para atender o alto número de crianças com paralisia infantil. Campanhas e doações ajudaram na construção de um dos maiores centros de reabilitação da capital.

Jovens viram protagonistas

Em breve, Brayan Henrique e Pedro Rodrigues, dois dos maiores potenciais do Programa Superar, em BH, terão novas oportunidades de reafirmar seu talento em eventos regionais paralímpicos marcados para o mês de novembro. Quando entrar em quadra, a dupla carregará para a disputa a vontade de crescer cada vez mais e a inspiração de quem viu de perto os maiores nomes da modalidade na Rio 2016.

Outra entidade que trabalha com os esportes paralímpicos, a Associação Mineira de Reabilitação (AMR) realiza seus próprios jogos para dar aos jovens a sensação de serem protagonistas. As Paralimpíadas da AMR estão marcadas para acontecer nos dias 4 e 5 de outubro.

“Procuramos fazer com que nossos alunos tenham o maior número de experiências motoras durante o ano. Inclusive participar de competições esportivas. A gente vê no rosto das crianças a alegria e o orgulho de serem a atração principal de um evento”, comenta Guilherme Sette Câmara, supervisor de esportes da AMR.

Fonte: site do Jornal O Tempo por Daniel Ottoni com foto de Mariela Guimarães.

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