Enem 2014: 15 mil candidatos idosos foram inscritos para prestar o exame

Descrição da imagem: em uma sala de informática, alguns idosos estão diante dos computadores.De acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), cerca de 15,5 mil idosos fizeram a inscrição no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) este ano. O número de candidatos nessa faixa etária vem crescendo ano a ano.

O exame que será aplicado nos dias 8 e 9 de novembro tem sido a porta de entrada para instituições de ensino superior e técnico. Segundo o reitor do Centro Universitário da Estácio de Belo Horizonte, Juciê Abreu da Silva, os alunos acima dos 40 anos têm procurado cada vez mais o ingresso no ensino superior. “Para atender a esse público, antes de pensar na graduação, pensamos em que tipo de demanda ele traz para nós. Geralmente, são pessoas que não tiveram a oportunidade de estudar no momento em que eram mais jovens e resolveram ingressar agora como se fosse uma superação”, explica.

Silva conta que vivemos em uma época muito especial da educação superior no Brasil. “Definitivamente os programas de financiamentos, inclusive o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) tem contribuído bastante para esses alunos, que não tiveram oportunidade no passado possam ter essa chance agora. Vale destacar também que as unidades privadas vêm assumindo um papel importante disponibilizando vagas junto ao Ministério da Educação (MEC) para os mais diversos públicos. Naturalmente, o financiamento estudantil tem sido uma forma de alavancar a sua possibilidade de entrada”, ressalta.

Para o reitor, outra forma que tem despertado o interesse dos idosos em fazer uma graduação é a comodidade dos cursos à distância. “A partir da tecnologia, esse grupo pode encontrar facilidade no ensino superior. Eles têm superado essas barreiras e cada vez mais inseridos nas novas tecnologias. Nesse aspecto o ensino superior pode ser uma boa oportunidade para o público da terceira idade. Afinal, esse tipo de curso evita o deslocamento, tem maior comodidade e o aluno pode programar o melhor horário para estudar”, enumera. 

Mais idosos

De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de idosos no país hoje é de 26,3 milhões, o que representa 13% da população. A expectativa é que esse percentual aumente e que em 2060 chegue a 34%, segundo previsão do próprio IBGE.

Para o estudante Emilio Sérgio Oliveira, 57, a oportunidade de estudar surgiu somente agora. “Quando era mais novo não tive a chance de ingressar no ensino superior, apesar de ter concluído o ensino médio. Não encontrei dificuldade, pois ler, fazer pesquisas e lidar com sistemas já fazia parte do meu dia-a-dia. O importante é ter vontade de fazer, buscar foco e enfrentar as barreiras para você chegar ao objetivo final”, afirma.

Oliveira conta ainda que de uns anos pra cá a facilidade de estudo tem aumento bastante e o brasileiro teve acesso ao ensino superior como não tinha antes. “Tenho um financiamento para manter os meus estudos. Sou a favor de quem quer estudar, algumas pessoas da minha família me apoiaram, apesar daquelas que acharam que eu ia perder tempo e não ia conseguir me destacar no mercado de trabalho”, diz.

Para o reitor, o aumento da expectativa de vida cresceu e isso tem sido um papel importante para esse novo cenário. “Nós temos outra abordagem em relação a esse público em função do acréscimo na expectativa de vida. Eles querem manter o tempo útil e produtivo, além de buscarem novas experiências. Temos programas específicos que não tem o objetivo de emitir o diploma, é o caso do programa de maturidade da Estácio, que nasceu para integrar e manter a terceira idade produtiva com cursos das diversas áreas”, finaliza.

Fonte: site do Jornal Edição do Brasil por Patrícia Prates.

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