Dia Nacional de Prevenção e Combate à Surdez

Dia 10 de novembro comemoramos o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Surdez. A data tem o propósito de alertar sobre a grande incidência da deficiência auditiva. Segundo a Organização Mundial da Saúde, mais de 15 milhões de brasileiros têm algum problema auditivo. Atualmente, apesar de muitas vezes a surdez ser um quadro irreversível, cada vez mais as pessoas estão tendo suas vidas transformadas pela tecnologia do implante coclear. Popularmente conhecido como ouvido biônico, este dispositivo implantável consegue captar o som e transformá-lo em impulsos elétricos capazes de serem decodificados como som pelo cérebro, permitindo uma audição clara, cada vez mais próxima da audição natural. Os implantes vieram revolucionar a forma de tratamento da surdez, melhorando a qualidade de vida dos pacientes e dando um novo impulso, já que permitem que consigam ouvir com mais detalhes e perfeição.

Um exemplo de superação é o do engenheiro civil João Defavari, de 56 anos. Após 24 anos vivendo no silêncio, o engenheiro voltou a ouvir graças a um implante coclear desenvolvido pela MED-EL, líder em dispositivos médicos inovadores para o tratamento de diferentes tipos e graus de perda auditiva.

Empregado de uma grande empresa, casado e pai de dois filhos pequenos, aos 29 anos João sonhava com o dia em que não teria mais que passar horas conectado a uma máquina para realizar hemodiálise. Na época ele sofria de insuficiência renal. Quando seu médico o informou que era elegível para o transplante de rim, não teve dúvidas, finalmente interromperia para sempre aquelas sessões diárias, e o mais importante, teria saúde para buscar seus sonhos.

Durante a cirurgia foi necessário injetar em João um forte medicamento que teve um efeito colateral inesperado: uma surdez severa e irreversível em ambos os ouvidos. Apesar de ter tido sucesso com os rins, a notícia foi um choque e mudou completamente a sua vida.

Depois de algumas consultas, lhe recomendaram um aparelho auditivo retroauricular convencional, com o qual não apresentou boa audição. A comunicação com a esposa e os filhos passou a ser por gestos, e com o tempo João melhorou sua capacidade de leitura labial. Apesar de todos os esforços para se comunicar, essa era uma tarefa muito difícil. Sua esposa Sônia passou a ser sua intérprete e não demorou muito para os amigos e os familiares se afastassem. A vida de João ficou limitada à sua casa e ao seu trabalho, que foi mantido, porém, toda sua ambição de uma carreira promissora ficou estagnada.

Finalmente, aos 53, o engenheiro encontrou um médico que lhe falou sobre uma nova possibilidade, o implante coclear. Ao saber desse aparelho, João foi tomado pela esperança de finalmente voltar a ouvir. “Realizei meu primeiro implante em 2011. O resultado foi maravilhoso, finalmente voltei a escutar a voz da minha esposa, as músicas que eu gostava. Retomei minha autonomia, minha vida social,” comenta João.

Em 2013 ele recebeu o segundo aparelho. “Hoje me sinto pleno. Recuperei a minha qualidade de vida, foi uma mudança completa, pela qual esperei por quase uma vida,” comemora.

Quando utilizar o implante coclear

“O implante coclear é indicado para pacientes com perda auditiva neurossensorial severa ou profunda. Crianças e adultos de qualquer idade podem se beneficiar da tecnologia. Os aparelhos auditivos convencionais oferecerem pouco ou nenhum benefício para indivíduos com este tipo de perda auditiva.” explica a Dra. Valéria Goffi Gomez, do Hospital das Clínicas da FMUSP.

O implante coclear consiste de dois componentes: um interno e um externo. O componente interno é o implante, que é inserido cirurgicamente sob a pele atrás do ouvido. O componente externo é um processador de áudio que é colocado atrás da orelha, e capta, processa e transmite o som por radiofrequência para o dispositivo interno, que o transforma em sinais elétricos.

“Por meio de pequenos eletrodos que são inseridos na cóclea através de um procedimento que não apresenta riscos ao paciente, o aparelho envia esses sinais para as fibras nervosas e, assim, o cérebro é capaz de interpretar esses dados como som. É fundamental que o feixe de eletrodos seja fino e flexível para assegurar que a integridade das delicadas estruturas do ouvido interno sejam preservadas durante a cirurgia. Isso é particularmente importante para as crianças, que podem precisar mais de um implante ao longo da vida. Uma implantação minimamente invasiva é fundamental para preservar as estruturas da cóclea“, afirma Dr. Robinson Koji Tsuji, médico, coordenador do Grupo de Implante Coclear do Hospital das Clínicas da FMUSP.

No Brasil, o implante coclear está disponível para os pacientes da rede pública e privada. Existe um número muito grande de pessoas que podem se beneficiar dessa tecnologia, explica o médico. “Temos no Brasil cerca de 9 milhões de pessoas com problemas auditivos e estima-se que 3% dessa população – 300 mil com surdez severa a profunda – são potenciais candidatos ao implante coclear, mas nem sempre têm acesso à informação da gratuidade ou do benefício real que essa tecnologia pode proporcionar”.

 Fonte: site Maxpress.

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