Deficientes visuais superam as dificuldades

O dia 13 de dezembro é um dia especial paras os deficientes visuais. Neste dia se comemora o Dia Nacional do Cego, sendo considerado por muitos como um dia para celebrar as conquistas e superar as barreiras do preconceito.

Andar pelas ruas, pegar um ônibus e até comer são gestos simples para a maioria das pessoas, mas pode se tornar difícil para quem possuí algum tipo de deficiência visual. Apesar das dificuldades, muitos deficientes superam os preconceitos e seus limites, mostrando ser capaz de dar a volta por cima e vencer os desafios.

Segundo dados do Censo 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Brasil, existem mais de 6,5 milhões de pessoas com deficiência visual, sendo 582 mil cegas e 6 milhões com baixa visão, segundo dados do Censo 2010.
Oportunidades

Estudar em uma universidade é o sonho de muitos brasileiros que buscam melhorar de vida. Este foi o caso do jornalista Renato D’avila que deixou o preconceito de lado e foi em busca do próprio sonho. Após cursar o terceiro ano do ensino médio, Renato D’avila decidiu entrar na faculdade e cursar jornalismo.

Atualmente ele trabalha como repórter na assessoria de comunicação da Secretaria Municipal da Juventude e Esporte (Sejesp). “As dificuldades começaram no período de estágio porque tinha aquela questão de como escrever dois, três textos se eu não enxergo, mas fui mostrando para todos que eu sou capaz. Hoje estou voltando e me adaptando e cada vez mais com a prática, a gente vai agilizando os trabalhos. Até o meu gestor e as pessoas do dia a dia tem se mostrado bastante sensibilizadas. Eu me sinto muito gratificante quando alguém chega e reconhece o trabalho. Acho que o maior retorno não é o final do mês, nem o que você ganha, mas o que você aprende e produz”, diz.

Renato D’avila entende que apesar de ter superado os limites, o preconceito ainda existe. “O preconceito existe sim. Já aconteceu de pessoas fecharem as portas dizendo que eu não tinha condições de fazer matérias e até no meio acadêmico com as pesquisas. Eu graças a Deus tenho uma família que me deu apoio, teve condições de investir em mim e hoje eu sou resultado desse investimento, mas acredito que ainda existe preconceito. Incrível isso acontecer e eu brinco porque quando vou a um restaurante, as pessoas não perguntam o que eu quero, sabe, não chegam pra mim, poxa eu tenho problema de visão, não de audição então existe muito isso. As pessoas olham quando vou a uma loja e eles tenta oferecer um produto que é muito caro, mas quando digo que quero e posso pagar pelo produto, eles já mudam, mas é impressionante o olhar diferenciado”, conta.

Maria Terezinha Mariano e Luzinalva dos Santos, naturais do município de Propriá, procuram obter todo conhecimento necessário para inclusão. De terça a quinta-feira, as duas são atendidas no Centro de Apoio Pedagógico para Atendimento a Pessoas com Deficiência Visual (CAP-Aracaju) e tem a oportunidade de aprenderem o Braille, informática e ainda participam de aulas de músicas.

“Nunca me abati por causa disso. Sempre venci. Sempre saio, vou para festas, a praia e tudo que eu compro é escolhido por mim. Só de pegar eu sei o que é bom, conheço os tipos de tecido, malha. Quando eu chegava na loja as pessoas ficavam admiradas porque até minha irmã me pedia opinião. Acho importante o nosso dia porque as pessoas tem que lembrar que a gente existe e se nós ficarmos em casa, ninguém vai nos respeitar”, conta Maria Terezinha.



Mãe de dois filhos, Luzinalva dos Santos fala como supera os preconceitos. “Quando tive meus filhos ainda enxergava, mas pelejei com o meu neto. Umas pessoas não queriam que a criança ficasse comigo, já outras sim, mas pegava ele no colo e cuidava dele. As vezes as pessoas nem notam que eu enxergo, mas quando diz ‘olhe a cega ai’ a gente fica triste porque a gente tem nome. O meu conselho é que os deficientes lutem, porque é difícil, mas não impossível. Faço tudo em casa, até meu cabelo eu pinto”, conta com muito bom humor.

Melhorias

O vereador Lucas Aribé (PSB) que apesar de ser deficiente visual, garante que consegue exercer as atividades no plenário. Em quase um ano de mandato, ele garante que já percebe as melhorias, sendo que algumas barreiras já foram superadas.

“Após a nossa vitória nas urnas no ano passado, o então presidente Emanuel Nascimento me convidou para uma reunião na qual tratamos sobre as mudanças mais urgentes que poderiam ser implantadas na Câmara, para que eu pudesse exercer o mandato com autonomia. Naquele tempo, a CMA não possuía painel de votação acessível, corrimões, tinha menos rampas e também não dispunha de nenhum software ou equipamento que garantisse a leitura para as pessoas com deficiência visual. No primeiro dia de trabalho, encontrei todas essas mudanças e, com isso, consegui exercer o mandato quase que de forma plena, pois eu recebia algumas proposituras inacessíveis que não me permitiam a leitura pelos recursos tecnológicos disponíveis. Durante praticamente todo o ano, enfrentei essa situação, mas hoje está bem melhor”, afirma.

Apesar das mudanças em seu ambiente de trabalho, Lucas Aribe (PSB) garante que ainda há o que ser melhorado para que ele possa exercer o mandato. “Ainda temos algumas questões internas de acessibilidade a serem resolvidas e tenho certeza de que, em breve, tudo estará 100 por cento. As dificuldades que tenho atualmente no legislativo são comuns a todos os parlamentares. Essa data serve como um alerta à sociedade e ao poder público de que precisamos investir muito mais em acessibilidade, promover a inclusão e combater ao preconceito, que ainda atua com muita evidência no Brasil”, conta.

Fonte: site Infonet.com.br por Aisla Vasconcelos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*
*
Website