Como “Pokémon Go” está ajudando crianças com autismo e Asperger

Quando Ian Thayer, de 12 anos, pediu à sua mãe para sair de casa para caçar Pokémon, Stephanie Barnhill ficou surpresa e muito empolgada. E sua alegria não tinha nada a ver com as criaturinhas e suas pokébolas. Ian tem Síndrome de Asperger, e sofre para conseguir sair de casa. Stephanie geralmente encontra dificuldade em convencer o menino a ir brincar fora de casa.

A mãe conta que inicialmente ele nem queria jogar Pokémon Go, mas pouco tempo depois começou a capturar seus primeiros pokémons e logo teve a iniciativa de sair de casa e interagir com outras crianças e com sua comunidade.

“Ele está saindo de casa voluntariamente para ir a Pokestops, pegar pokébolas e criaturas, enquanto antes ele não tinha interesse em sair de casa. Ele não é o tipo de criança que sai para brincar. Mas esse jogo permitiu que ele quisesse se comunicar com as pessoas e começar conversas sobre as criaturas que ele capturou”, relata a mãe.

O jogo de realidade aumentada e método de recompensar jogadores que frequentam as Pokestops em pontos importantes de suas cidades fez com que as pessoas interajam mais enquanto jogam vídeo games.

Outras crianças acolhem com mais facilidade

Lenore Koppelman é mãe de Ralphie, de seis anos. Ele tem autismo e hiperlexia, que está relacionada com dificuldades na linguagem verbal. Ela também descobriu que Pokémon Go é uma ferramenta útil para ajudar seu filho a interagir com outras crianças.

“Elas querem jogar Pokémon Go, e ele também, então isso dá a eles algo em comum para fazer. As crianças estão tão focadas em pegar pokémons que elas se concentram mais em encontrá-los do que no comportamento de Ralphie”, conta a mãe. “Como resultado, ele finalmente está no meio de grupos de crianças que ele sequer conhece, mas que o acolhem para brincar”.

Por que o jogo agrada tanto crianças autistas?

Apesar de o fenômeno recente ainda não ser objeto de pesquisas acadêmicas, o médico James McPartland, diretor da Clínica de Deficiências de Desenvolvimento de Yale, diz que o jogo é convidativo para crianças com Asperger por sua estrutura e consistência.

“Ele envolve personagens consistentes e estáveis. Crianças com autismo frequentemente gostam de coisas assim e que são baseadas em listas ou coisas concretas baseadas em fatos”, explicou ele. “Eles são muito bons em aprender e memorizar, então isso não só cai na área de interesse deles, mas também em uma área em que as qualidades dos autistas podem brilhar”.

Já o médico Fred Volkmar, professor do Centro de Estudos Infantis da Yale, alerta para uma possível armadilha para crianças com autismo. “O problema com Pokémon Go é que crianças podem jogar até o ponto em que isso interfira com o aprendizado sobre o mundo. Se você consegue manter a atividade de forma funcional, tudo bem. É prejudicial se esta é a única coisa em que eles estão interessados. Se ajudar a criança a se isolar ainda mais, não é bom”, explica ele.

McPartland lembra que com monitoramento cuidadoso, é possível evitar esses efeitos negativos do jogo. “Não acho que haja algo intrinsicamente negativo em Pokémon Go. Qualquer atividade que qualquer criança faça deveria ser monitorada por um adulto. E os pais deveriam dizer a quantidade apropriada e quando é apropriado e com quem é apropriado. Como qualquer outra coisa, se esses fatores não são monitorados, problemas podem surgir”.

A mãe de Ralphi está muito feliz com as novas interações do filho, e orgulhosa das mudanças que o jogo causou no menino. “Ele parece mais feliz. Ele ri com mais frequência. Ele parece mais confiante”, relata. “O pai dele e eu estamos muito orgulhosos dele e de como ele mudou em apenas uma semana”. [CNN]

Fonte: site Hype Science.

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