Como o Uber se preparou para ter motoristas com deficiência

O sonho de Carlos Eduardo Cristalli Romano, o Kadu, era ser motorista. Abria a porta do carro para seus pais e amigos e tirou a carteira assim que fez 18 anos, esperando se tornar um motorista particular.

Depois de trabalhar como auxiliar de administração, há cerca de três anos ele buscou realizar esse sonho e quis se filiar a algumas cooperativas detáxi. Mas sem sucesso, por um motivo: Kadu é surdo. Assim, não poderia ouvir o endereço para onde deveria levar seus clientes.

Há um ano, ele conheceu um americano que também tinha deficiênciaauditiva e que trabalhava como motorista da Uber. Então, decidiu dar uma chance à empresa. Hoje ele sustenta, orgulhoso, boas avaliações de seus clientes.

Isso foi possível porque os clientes pedem um carro e inserem seu destino pelo próprio aplicativo, assim não é necessário explicar o caminho ao motorista, que se guia pelo Waze.

O app também avisa, com antecedência, que o motorista tem deficiência auditiva, evitando constrangimentos. Para oferecer água, balas ou outros mimos, Kadu lê lábios, faz gestos e sabe Libras, a Linguagem Brasileira de Sinais.

A empresa de tecnologia desenvolveu a funcionalidade depois que recebeu sugestões de motoristas com deficiência auditiva e da Associação Nacional de Surdos dos Estados Unidos. A nova versão do aplicativo, mais inclusiva, está rodando desde maio de 2015.

“Trabalhamos para mostrar a pessoas com deficiência que a plataforma da Uber pode ser uma alternativa para que elas gerem renda”, afirmou Fabio Sabba, diretor de comunicação da Uber no Brasil.

No Brasil, há pelo menos 10 mil pessoas com deficiência auditiva com carta de motorista, segundo o IBGE. “Ainda temos poucos motoristas parceiros que são deficientes auditivos, mas queremos aumentar esse número”, diz Sabba.

Segundo ele, também há motoristas cadeirantes, que contam com seus próprios carros adaptados para trabalhar.

Para trabalhar com a empresa, basta ter carteira de motorista com licença para exercer atividade remunerada (EAR) e cumprir com os requisitos técnicos, além de seguro que cubra motorista e passageiro. 

“Queremos oferecer uma oportunidade nova e talvez nem pensada antes por essas pessoas”, afirmou o diretor. 

Fonte: Site da revista Exame por Karin Salomão.

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