Cegos desde o nascimento, irmãos se unem em estudo para o Enem

Descrição da imagem: irmãos deficientes visuais assentado diante de uma mesa lendo em Braille seus estudos para o Enem.Cega desde o nascimento, Darliane Vale, de 19 anos, diz que sonha em ser acadêmica do curso de letras com habilitação em inglês. Para alcançar o objetivo, a jovem decidiu superar as dificuldades por causa da deficiência e estudar para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que será realizado nos dias 08 e 09 de novembro. Ela recebe o apoio do irmão Valclei Vale, de 25 anos, e diz que a ajuda tem sido essencial nos estudos. O rapaz também nasceu com deficiência visual, e, em 2013, ingressou na Universidade Estadual do Amapá (Ueap).

Darliane estuda no turno da noite em um cursinho preparatório gratuito oferecido pela Universidade Federal do Amapá (Unifap). A dedicação ao estudo, porém, não se limita à sala de aula, segundo a jovem. Ela conta que usa as horas vagas para, ao lado do irmão, ler livros e apostilas em braille, sistema de escrita em relevo que ela aprendeu quando ainda criança, diferente de Valclei, que teve acesso ao método somente aos 13 anos.

“Estou ansiosa. Gosto muito de inglês e queria me especializar nessa língua, por isso estudei bastante”, disse a jovem, acrescentando que se considera uma apaixonada por livros de ação e romance. “Eu tentei fazer o Enem [em 2013] e não passei, aí eu decidi estudar no cursinho”, lembrou.

“A gente sempre conviveu muito de perto, um ajudando ao outro. Já dei dicas para que ela não fique nervosa na hora da prova, porque isso não é bom. Gosto muito de ler e esse é um dos motivos da minha dedicação”, disse o irmão, que cursa letras com habilitação em francês através da Unidade de Educação Inclusiva (UEI) da Ueap.

Superação
Valclei e Darliane moram com o pai, a madrasta e quatro irmãos em uma casa localizada no bairro Araxá, Zona Sul deMacapá. Eles nasceram no município deLaranjal do Jari, cidade distante 295 quilômetros da capital, e só tiveram acesso ao braille após o pai, um motorista de 46 anos, mudar-se para Macapá a trabalho. As dificuldades, segundo os irmãos, iniciaram quando eles ainda cursavam o ensino fundamental.

“Hoje em dia é difícil para nós, que temos algum tipo de deficiência, entrarmos no ensino superior por conta das dificuldades que tivemos nos ensinos fundamental e médio. Há uma grande dificuldade para conseguir material para os cegos. Graças a Deus, meu pai veio para Macapá e conheceu o braille e falou que, de fato, um cego poderia estudar, então eu vim e desde que comecei a ler nunca mais parei, nem eu e nem a minha irmã”, falou Valclei.

Preparada para a prova
A prova em braille que será feita por Darliane terá questões semelhantes às dos demais estudantes que participarão do Enem. Ela fará o exame em uma sala individual e será auxiliada por uma dupla de ledores, segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (Inep).

Fonte: site G1.com AP por Dyepeson Martins.

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