Brasileiros ignoram riscos da perda auditiva e abusam do som alto

Sem buscar informações, sem saber como se prevenir, desconsiderando os sintomas e abusando de maus hábitos diários, os brasileiros estão, de forma lenta e progressiva, prejudicando a saúde e ignorando os riscos da perda auditiva e suas consequências. O cenário foi verificado em cinco capitais brasileiras, após levantamento feito por empresa de soluções auditivas, e mostrou que os belo-horizontinos se destacam negativamente por sua alta exposição a barulhos por períodos maiores que oito horas.

Em seu consultório, o otorrinolaringologista e coordenador do Serviço de Saúde Auditiva do Hospital das Clínicas de Belo Horizonte, Celso Becker observa que o problema aparece em todas as idades.

“Nas crianças, a suspeita vem com a dificuldade de compreensão e com a troca de vogais ou de consoantes. Nos adolescentes fica mais evidente pela ‘mania’ de usarem fones de ouvido com volume alto. No caso dos adultos, eles não se preocupam com a exposição ao ruído e, os idosos, procuram ajuda com a perda já avançada”, afirma.

Após o primeiro exame feito em todo recém-nascido, Becker recomenda que nova avaliação seja feita aos 4 anos de idade, na fase de pré-alfabetização, ou sempre que houver alguma queixa, como zumbidos e chiados constantes. “Às vezes, uma simples rolha de cera no ouvido pode causar a perda auditiva, mas ser facilmente corrigida”.

No caso da enfermeira Sheila de Souza, 30, a perda da audição veio aos 13 anos, em decorrência de uma meningite diagnosticada tardiamente – uma das principais causa de surdez no Brasil, apesar da vacinação. Rubéola, coqueluche, sarampo, complicações na gravidez, infecções de ouvido e traumas acústicos provocados pela exposição a ruídos também estão entre os riscos para a saúde auditiva.

Adaptada aos implantes, ela conta que recuperar a audição foi como “ter a vida de volta”. “Hoje tenho muito cuidado e penso que seria fundamental termos mais campanhas de prevenção e de promoção à saúde, mostrando os riscos da exposição aos ruídos, a necessidade das vacinas e orientando sobre a não introdução de objetos no canal auditivo”, afirma. Segundo Becker, os aparelhos auditivos disponíveis são de excelente qualidade e já conseguem resolver a maioria dos problemas. O implante pode ser feito pelo SUS.

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Prevenção. Utilizar protetores, evitar a exposição ao barulho e realizar exames com frequência foram as principais formas mencionadas pelos entrevistados. “Após um show é importante resguardar o ouvido”, diz o médico Celso Becker.

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Situação. Cerca de 800 milhões de pessoas no mundo sofrem de perda auditiva. Estima-se que este número pode chegar a 1,1 bilhão até o final de 2015 – aproximadamente 16% da população mundial, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Fonte: site do Jornal O Tempo por Litza Mattos.

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