Brasileiro ganha prêmio da ONU por app que avalia acessibilidade de estabelecimentos no País e no mundo

Fazer comprar em um supermercado, buscar pão na padaria ou mesmo encontrar os amigos em uma mesa de bar pode se tornar um problema para quem tem dificuldade de locomoção.

Com informações desencontradas nos estabelecimento e cadeirante há quase 16 anos, Bruno Mahfuz, de 33 anos, precisou procurar uma alternativa criativa e eficaz para se locomover por São Paulo e por outras cidades do mundo. E foi assim que nasceu o guiaderodas, aplicativo colaborativo que qualquer usuário pode fazer rápidas avaliações sobre a acessibilidade em qualquer estabelecimento. 

O aplicativo, criado em 2015, mostra ao usuário quais estabelecimentos são acessíveis às pessoas que têm dificuldade de locomoção, seja uma rampa, uma porta que dê para passar uma cadeira de rodas, um bom espaço entre as mesas, a altura das mesas, banheiros acessíveis, entre outras informações essenciais para pessoas com alguma deficiência – mas que passam despercebidas pela maioria das pessoas. 

“O aplicativo nasceu da minha história de vida. A falta de acessibilidade é clara, mas a falta de informação é o que aumenta a exclusão”, disse Bruno, que perdeu os movimentos das pernas em 2001, decorrente de um acidente de carro.

“Se você tem alguma dificuldade de locomoção e não é munido de informação, prefere não sair de casa. O guiaderodas surgiu para dar essas informações para as pessoas”.

Foto do Bruno Mahfuz que é cadeirante e o criador do guia de rodas.

Segundo Bruno, por ter leis que obrigam estabelecimentos de terem acessibilidade, muitos restaurantes, bares e até mesmo hotéis afirmam que são acessíveis, mesmo não sendo. “Isso frustra a pessoa com deficiência, que teve de se deslocar para lá e terá de procurar outro lugar. A diferença do aplicativo é que ele é colaborativo, então os próprios consumidores avaliam se o lugar é acessível ou não”, acrescentou.

O app também foi criado para ser prático e direto. Em apenas 30 segundos, um usuário pode classificar o local. “A pessoa informa o tipo do estabelecimento e começa a clicar na ‘carinha’ feliz, mais ou menos e triste”, disse.

Foto dos significados dos pins. O Verde significa que o estabelecimento é acessível, o amarelo é parcialmente acessível, o vermelho não acessível e o cinza não avaliado.

As avaliações também não são nada técnicas. “O app faz perguntas como ‘a entrada é boa?’, ‘tem vaga para deficiente?’, ‘dá pra circular dentro do local?’. A ideia é que todo mundo, mesmo pessoas sem restrição de mobilidade, consiga responder de forma rápida e eficiente”, disse Bruno, acrescentando que quase 70% dos usuários não tem nenhuma dificuldade de acessibilidade. “Vejo uma consciência nas pessoas hoje em dia, algo que antes não tinha. Elas querem ajudar.”

Foto das mãos de um homem segurando um celular e utilizandoo aplicativo do Guia de Rodas. Ele está avaliando um Museu em Londeres com o pin Verde, ou seja, o local é acessível.

Por seu impacto social e jeito criativo de informar, o aplicativo foi um dos vencedores do World Summit Awards – WSA Mobile, premiação global organizada pela cúpula da ONU (Organização das Nações Unidas).

Escolhido entre as 451 iniciativas de todo o mundo, o guiaderodas foi o único brasileiro selecionado. Ele ganhou na categoria “Inclusão e Empoderamento”. “Esse reconhecimento dá mais combustível para continuar alcançando mais pessoas. A gente engaja a sociedade de uma forma leve, sem apontar problemas, mas como a acessibilidade traz vantagens na vida de qualquer um”, disse.

“As pessoas acham que acessibilidade é coisa de deficiente. Ela beneficia todo mundo em diversas fases da vida, seja um idoso, alguém com uma contusão, ou uma grávida. Nosso mote é ‘uma ideia quando é boa, é boa para todos”.

Novos tempos, nova consciência

Bruno diz que, apesar das dificuldades constantes de se locomover pelas cidades mal planejadas, as mudanças são claras. “Quando me acidentei em 2001 eu tinha acabado de passar em uma faculdade e não pude fazer porque ela não era acessível. Hoje, não existe mais isso. A legislação puxou a conscientização e a população está mais aberta a este tema”, conta.

“Sempre teve gente que, sem precisar, estacionou na vaga de deficiente. Mas agora, a própria população fiscaliza isso. Já presenciei várias situações em que alguém estacionou nestas vagas e levou bronca de outras pessoas.”

Criado há menos de dois anos, o app tem avaliações de estabelecimentos em mais de 700 cidades de 30 países. Ele está disponível gratuitamente tanto em português quanto em inglês e espanhol.

A acessibilidade para pessoas com deficiência é garantida pela Constituição, Leis Federais 10.048/2000 e 10.098/2000 e o Decreto-Lei 5296/04.

ATENÇÃO: a fonte das matérias publicadas neste blog, sempre será indicada. Caso tenha alguma dúvida sobre a matéria ou algo nesse sentido, peço a gentileza em entrar em contato com os responsáveis pela a fonte.

Fonte: site Huffpost Brasil por Luiza Belloni.

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